Belém, 5 (AE)- Uma balsa a serviço da companhia norte-americana Texaco, conduzindo 1,8 milhão de litros de óleo combustível, afundou na noite de ontem (4) no Rio Pará, em Barcarena, a 20 km de Belém, depois de ser abastecida no terminal da empresa no porto de Vila do Conde. A versão inicial da Transportadora Conama, proprietária da balsa, é de que o vento forte e a correnteza teriam sido responsáveis pelo acidente.
A empresa vai ser indiciada em inquérito pela Capitania dos Portos. "Pode ter havido má distribuição da carga na embarcação, o que teria feito com que ela adernasse e afundasse", disse o capitão dos Portos, Laury Matos. A balsa está a oito metros de profundidade, mas ainda não foi observado qualquer vazamento. O seu deslocamento no fundo do rio está sendo monitorado por técnicos da Texaco.
A possibilidade de um grave acidente ambiental não está descartada, segundo as primeiras avaliações dos homens do Corpo de Bombeiros e da Capitania dos Portos. Se isso vier a ocorrer, o desastre seria superior ao do acidente ocorrido na Baia de Guanabara, no Rio de Janeiro, depois do rompimento de um oleoduto da Petrobrás, onde vazaram 1,3 milhão de de litros de óleo.
A Defesa Civil decretou estado de alerta e já mobilizou seu pessoal para, neste domingo, colocar uma barragem flutuante, para servir de barreira de contenção no caso de ocorrer o vazamento do óleo. A área onde a balsa afundou é cercada de ilhas onde vivem inúmeras espécies animais, algumas delas ameaçadas de extinção na Amazônia, além de dezenas de praias frequentadas por banhistas da capital paraense.
Funcionários da Texaco, bombeiros e voluntários colocaram bóias em torno do local onde a embarcação afundou. O diretor de Meio Ambiente da Texaco, Domingos Milione, afirma que a possibilidade de vazamento do óleo é pequena e não acredita na repetição, no Pará, do acidente ocorrido na baía de Guanabara. "O óleo é mais denso do que a água e a temperatura no fundo do rio é menor. Com isso, o óleo começa a solidificar-se". A Texaco já contratou duas empresas dos Estados Unidos para fazer o resgate da embarcação. Os especialistas americanos desembarcaram ontem pela manhã no porto de Vila do Conde e aguardam ainda hoje mais cinco técnicos dos EUA. Eles vão analisar a estrutura do casco da balsa antes de fazer o resgate. "Estão aqui os melhores técnicos e profissionais do mundo para garantir um serviço que não coloque em risco o meio ambiente", observou outro diretor da Texaco, José Amin. O plano de salvamento terá de ser aprovado pela Capitania dos Portos e pelas instituições ligadas ao meio ambiente. A autorização para o resgate só deverá ser concedida se houver a garantia de que o ecossistema da região em volta da cidade de Belém não será afetado. "Queremos que isso seja feito com a máxima segurança e sem possibilidade de falhas", resumiu o superintendente do Ibama no Pará, Paulo Castelo.

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