Balonistas aproximam-se da linha de chegada da volta ao mundo
Genebra, 19 (AE-REUTERS) - Dois balonistas informaram nesta sexta-feira (19) que estavam se aproximando da costa oeste africana, "secretamente confiantes" de que completariam a inédita jornada de volta ao mundo sem escalas.
Mas Bertrand Piccard, da Suíça, e o britânico Brian Jones, conversando com o controle de missão em Genebra a menos de 24 horas da "linha de chegada" sobre o norte da Mauritânia, contaram que estão monitorando cuidadosamente seu estoque de combustível.
O diretor de vôo Alan Noble disse que eles poderiam aterrissar o Breitling Orbiter 3 no norte do Máli na manhã de domingo. Mas a dupla poderia prosseguir e atravessar Argélia e Líbia para tentar pousar no Egito nas proximidades do rio Nilo, dependendo do estoque de combustível, de acordo com Noble.
"Está realmente baixando o nível", disse Jones ao centro de controle. "Nós temos de tentar ficar totalmente atentos em nossos tanques de combustível. Nós estamos abaixo de nosso último tanque de cada lado."
Jones, um ex-piloto de Força Aérea Britânica de 51 anos, acrescentou: "Nós estamos secretamente confiantes, mas nós não podemos nos sentar em nossas cadeiras. Nós estamos tendo de trabalhar muito duro e concentrar totalmente nossos esforços."
Piccard estava otimista, mas admitiu que a odisséia de quase três semanas afetou os pilotos. "Há uma grande pressão aqui no balão. Para relaxar, eu utilizei hipnose para dormir melhor", disse Piccard em uma conversa com o controle de vôo nesta sexta-feira. "Brian precisa menos disto. Ele normalmente adormece em dois minutos. Mas eu mostrei a ele minhas técnicas de hipnose."
Os dois pilotos disseram que os piores momentos ocorreram quarta-feira na faixa entre México e Caribe, quando os ventos diminuíram. Isto coincidiu com um dia inteiro de dificuldades respiratórias.
"Nós tivemos um péssimo momento sobre o México quando ficamos com gripe, cansados e estressados porque os ventos não estavam bons", contou Piccard. "Nós tomamos oxigênio puro por algumas horas, dormimos e nos sentimos melhor. Agora é apenas uma má recordação."
Jones disse que o problema de respiração foi causado provavelmente por um aumento no nível de dióxido de carbono na cápsula. Os pilotos demoraram para perceber no início, mas passaram a mudar os filtros com mais frequência a partir de então.
"Pode soar estranho, mas quando você está em circunstâncias como essas, você não pergunta o que está acontecendo. Você confia nos instrumentos e aceita desconfortos, o que ocorreu bastante neste vôo, pensando que é provavelmente um engano", disse Jones.
Em comunicado, o Breitling Orbiter 3 informou que "devido à alta velocidade de 155 quilômetros por hora sobre o Atlântico, o Egito, assim como Máli, pode ser uma possibilidade distinta de aterrissagem".
"A decisão final será tomada amanhã pelos pilotos, dependendo do combustível", acrescentava.





