Rio- Sete baleias de três espécies diferentes foram vistas no mar ontem perto de praias do Rio e de Niterói, na Região Metropolitana, e atraíram a atenção de curiosos. Três orcas e duas francas-do-sul estavam na zona sul do Rio e duas jubartes, em Itacoatiara, Niterói.
No Joá, na zona sul do Rio, a aproximação de uma fêmea e um filhote da espécie francas-do-sul, que chegaram a apenas 200 metros da praia, preocupou os bombeiros do Grupamento Marítimo. Eles fizeram um isolamento para que os mamíferos não encalhassem, como ocorreu com uma jubarte na semana passada, em Niterói. Os bombeiros colocaram uma corda para mantê-los afastados da costa. Motoristas que passavam pelo elevado do Joá pararam para assistir à operação.
As orcas que cruzaram Arpoador, Ipanema e Leblon foram acompanhadas por um cardume de arraias. Elas não chegaram perto da areia - se mantiveram a 400 metros de distância. A exibição atraiu a atenção de quem caminhava pelas praias. Um pequeno engarrafamento foi formado na Avenida Delfim Moreira porque as pessoas paravam seus carros para espiar. Em Itacoatiara, foram avistadas duas jubartes.
Há uma semana, uma jubarte de 18 toneladas morreu na praia do Forte do Imbuí, em Niterói, depois de ficar três dias encalhada. No dia seguinte, outro cetáceo, este da espécie minke, teve de ser rebocado da Praia dos Ossos, em Búzios. A baleia foi retirada por uma traineira e voltou para o alto-mar.
A aparição de três espécies distintas chamou a atenção dos especialistas. José Lailson Brito Junior, professor do departamento de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio (Uerj) e coordenador do projeto Maqua, que estuda baleias, botos e golfinhos, disse que nunca havia visto tal diversidade num único dia, em 12 anos de trabalho. ''Isso não é comum'', afirmou.
Ele explicou que durante o inverno e a primavera as baleias de barbatanas (sem dentes) migram de lugares mais frios para a costa brasileira para reprodução. As jubartes ocorrem mais em Abrolhos, na Bahia. As da espécie franca-do sul são mais comuns em Santa Catarina. Já as orcas vêm para a região costeira do Rio, também procurando alimento.

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