Balé de Londrina tem duas novas integrantes
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segunda-feira, 05 de fevereiro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Viver de dança não é nada fácil. Mas é apaixonante. Tão apaixonante que 70 bailarinos de todas as regiões do Brasil inscreveram-se na disputa por duas vagas no Balé de Londrina, abertas em dezembro do ano passado. Além do salário, R$ 750, a segurança do registro em carteira chamou a atenção dos dançarinos, com idade entre 18 e 25 anos.
Do total de inscritos, 56 passaram para a segunda etapa da seleção. Ontem à tarde, a londrinense Bruna Martins Rosa, 19 anos, e a mineira Juliana Rodrigues Figueiredo, 23, de Belo Horizonte, foram escolhidas entre os 19 bailarinos que participaram da final, na Escola Municipal de Dança.
Segundo o diretor da Companhia Leonardo Ramos, o teste durou quatro horas e a decisão, tomada em conjunto com os oito membros do grupo, foi bastante difícil. ''A diversidade foi grande, não só na origem dos candidatos, como nos níveis técnico e físico'', apontou.
Os candidatos passaram por testes na barra e no centro do palco e, de acordo com Leonardo, as mulheres se saíram melhor. ''Inclusive, se tivéssemos mais duas vagas, teríamos escolhido outras duas bailarinas.''
Para o diretor, a trajetória da companhia londrinense e a infra-estrutura da cidade, onde o custo de vida ''não é tão alto'', motivaram a vinda de tantos dançarinos de fora.
O bailarino Cláudio de Souza, um dos fundadores do Balé de Londrina, explicou que o critério utilizado na escolha de novos bailarinos foi a identificação com a filosofia da Companhia, que costuma mesclar diversas técnicas de dança numa única apresentação.
''Também foram analisadas a percepção e rapidez com que eles entendem a coreografia, a concentração, a disposição no palco, além dos movimentos'', assinalou Cláudio. ''Mas o mais importante era que eles expressassem sua visão própria da coreografia.''
Aos 34 anos, Cláudio é exemplo de que a paixão pela dança supera as adversidades financeiras da profissão. Nascido na Bahia, Cláudio mudou-se para Brasília aos 13 anos. Aos 20, já em Maringá, tomou contato com a arte pela primeira vez e desde então nunca mais parou de dançar.
''Em Maringá, ganhei bolsa de estudo numa companhia. Trabalhava com computação de dia e dançava à noite'', recordou o dançarino que, em 1994, foi convidado a integrar o Balé de Londrina. ''Nunca tinha pensado em ser bailarino antes disso.''
Para ele, é possível viver da dança no País, ''mas certamente não é fácil''. ''Como o dançarino tem contato com muitas vertentes artísticas quando está no palco, é normal ele reconhecer em si outras habilidades, como a coreografia, a cenografia, a produção e até tornar-se professor'', disse Cláudio. Ele mesmo é coreógrafo e coordena a manutenção de sites de dança, entre eles o da Fundação Cultural e Artística de Londrina (Funcart) e o site Conexão Dança, que reúne informações de projetos e companhias de dança de todo o Brasil.
Segundo a assistente de direção da Companhia, Ana Maria Aromatario, a Companhia de Balé de Londrina sobrevive com repasses do Município e da Funcart. O grupo estreou pelo menos uma nova apresentação anual e realizou diversas turnês nos últimos 13 anos, ''algumas até sem recursos'', contou. ''Os integrantes acreditam no que fazem, têm objetivo claro e respaldo da sociedade, por isso a companhia dá certo''.
''Mesmo inexperientes, os bailarinos mais jovens participam de audições para aprender um pouco mais sobre o trabalho das companhias'', ressaltou Cláudio de Souza. ''No caso de Londrina, a visibilidade é grande, pois muitos bailarinos que começaram aqui, hoje trabalham em grandes centros como São Paulo e Salvador.''


