Balas perdidas matam duas pessoas em Belo Horizonte
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 24 (AE) -A população da capital mineira está alarmada com a onda de violência que atinge a cidade. Entre a tarde de quinta-feira e a manhã de hoje duas pessoas morreram, vítimas de balas perdidas em bairros das zonas sul e oeste. Uma bomba, provavelmente de fabricação caseira, foi lançada em uma escola municipal da região norte, ferindo uma moça de 15 anos.
O primeiro caso de bala perdida aconteceu no elegante bairro São Pedro, no final da tarde de ontem (23). Segundo a Polícia Militar, gangues rivais da favela Morro do Papagaio trocaram tiros. Um disparo atravessou o pára-brisa de um ônibus da linha 4112 (São Pedro-Padre Eustáquio). A bancária Zenilda Viana Gonçalves foi atingida na cabeça e morreu ao chegar ao Pronto Socorro do Hospital João XXIII, no Centro. Estilhaços do vidro feriram no braço o motorista do ônibus, Coraci dos Santos Silva, de 34 anos. O autor do disparo fugiu, mas, na manhã de hoje, a PM prendeu dois suspeitos.
No final da manhã desta sexta-feira três homens invadiram a agência do Banco Bradesco, no bairro Nova Suíça, zona oeste. Testemunhas disseram que eles tentaram matar uma mulher que estava na agência, mas o revólver falhou. Depois de esvaziar os caixas eles fugiram em um Fiat Uno, prateado. Dois quarteirões depois, trocaram tiros, provavelmente com policiais militares que faziam ronda na região. O marceneiro Antônio Lopes Martins Teixeira, de 51 anos, que passava pelo local, foi atingido por um tiro e morreu na hora.
Os assaltantes abandonaram o veículo e roubaram um Fiat Tipo, placas GPE 9221. Tomado como refém, o motorista foi libertado na Favela da Ventosa, a maior da região, minutos depois. Até o final da tarde dezenas de policiais, auxiliados por um helicóptero, procuravam os criminosos na favela. Desde o início do ano a PM registrou 90 assaltos na capital, contra 88 em todo o ano passado. Este tipo de ocorrência é considerado um dos maiores problemas da Segurança Pública na região metropolitana de Belo Horizonte.
Bomba - Por volta das 7h, no bairro Cachoeirinha, zona norte, um desconhecido jogou uma bomba de fabricação caseira por cima do muro da escola municipal Eleonora Pinheiro Sette. A estudante Xênia Juliana Nascimento dos Reis, de 15 anos, foi atingida pelo artefato e teve ferimentos leves no pescoço, nas pernas e nos braços. Ela foi atendida no Hospital Odilon Bherenz e liberada. A direção da escola informou que constantemente são jogados objetos por cima do muro, destruindo os telhados das salas e ameaçando a segurança dos alunos.
Apesar das ocorrências registradas, o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), procurou amenizar a situação e garantiu que a capital ainda é uma cidade tranquila. Segundo o prefeito, a cidade registra, semanalmente, três ou quatro assassinatos, "número muito menor do que o de outras capitais". "Belo Horizonte é uma cidade relativamente tranquila, o que não nos dispensa, pelo contrário, nos obriga a manter essa tranquilidade e a melhorá-la", afirmou Castro.


