São Paulo, 15 (AE) - A Sala São Paulo, novo, maior e mais moderno espaço de concertos do País, foi atingida por balas perdidas na quarta-feira da semana passada. As balas furaram duas vidraças da entrada principal do prédio, na Rua Mauá, no centro de São Paulo. Não houve feridos. Segundo um dos funcionários da portaria da sala de concertos (que não quis se identificar), os disparos foram feitos do outro lado da praça em frente da Estação Júlio Prestes, durante a madrugada. O incidente não foi registrado em boletim de ocorrência na delegacia responsável pela área, o 2.º Distrito Policial, segundo o delegado Douglas Augusto Silveira. "Não chegou ao nosso conhecimento", disse o delegado Silveira.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Cultura do Estado informou que os dois disparos foram feitos "em decorrência de uma perseguição" policial e informou que o caso deveria ser apurado pela Secretaria de Segurança. Esse foi o primeiro incidente envolvendo a nova Sala São Paulo, inaugurada em julho pelo governador Mário Covas e pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Para melhorar a situação de segurança na região, o governo já instalou um posto da Polícia Militar bem em frente do teatro. Erguida no que era o pátio interno da antiga Estação Júlio Prestes, a sala de concertos é uma espécie de ponta-de-lança no programa de recuperação do centro, numa região hoje deteriorada.
O prédio foi construído entre 1926 e 38 e sua recuperação é um dos grandes feitos do atual governo. Foi restaurado a um custo de R$ 44 milhões e oferece, além do primeiro teatro sinfônico do País, com 1.509 lugares, nove salas de ensaio para orquestras, dois restaurantes, sala de música de câmara e estúdios de gravação. Do complexo, faz parte ainda o prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), que será transformado em Escola de Música e atualmente é palco da peça Lembrar é Resistir, sobre os anos da ditadura. De acordo com o delegado Silveira, as balas perdidas são exceção no local. As ocorrências mais comuns registradas no 2.º DP são de pequenos furtos na estação de trem anexa ao complexo cultural e casos de tíquetes falsos.
Outro distrito da área é o 77.º. No DP, o delegado Edson Nogueira de Souza, também não recebeu o registro do incidente na sala de concertos. Segundo ele, a região teve uma melhora sensível nos casos de furtos e roubos desde a inauguração da sala, em julho. Para o produtor cultural Roberto Malta, o gesto inicial do governo do Estado de promover melhoramentos na região
dotando-a de uma moderna sala de concertos, foi muito importante. "A gente sabe que a Cracolândia é ali do lado e o ato (de remodelar a sala) foi decisivo para mudar o destino da cidade, mas as ações de revitalização do centro ainda são tímidas".
"Eu não deixarei de ir à sala", disse o crítico musical Zuza Homem de Melo. "É a mesma coisa que não sair mais de carro por causa dos assaltos nos faróis", ponderou.

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