Araçatuba, 18 (AE) - As balas disparadas pela Polícia Militar em treinamentos realizados no quartel de Araçatuba, a 550 quilômetros da Capital, estão saindo dos limites de segurança e chegando do outro lado da rua na zona leste da cidade onde moram 20% da população do município.
A denúncia feita por funcionários do Departamento Estradas e Rodagem (DER), uma repartição pública estadual instalada a menos de 200 metros do estande de treinamento, fez a direção da PM cancelar o uso de armamento pesado nos testes realizados diariamente na sede do Batalhão que fica no Bairro Santana, perímetro urbano de Araçatuba.
O coronel Miguel Peixoto Frisene disse hoje que está suspenso o uso de metralhadoras e fuzis nos disparos de média e longa distância.
Segundo ele, só permanece os tiros com revólver a distância máxima de 3 metros. Frisene disse que pretende fazer uma reforma no estande, para evitar que as balas recolcheteiem e caiam "fora da área de segurança".
Para o coronel, as balas que chegaram à sede do DER de Araçatuba, onde trabalham cerca de 30 pessoas, não teriam condições de provocar ferimentos porque na sua opinião "elas subiram e depois caíram por força da gravidade e não por devio de direção".
Mas não é isso que diz o servidor Airton Cardoso, quando mostra uma janela com o vidro furado por uma bala, dentro do DER. O artefato que provocou o acidente inclusive foi encontrado por Cardoso e serviu de prova no ofício que a direção do DER enviou à Polícia Militar, solicitando providências. Outro funcionário, Jair José Freire recolheu 17 balas. Santiago Molina que trabalha na mesma repartição disse que as pessoas costumam ouvir as balas passar fazendo ruído no ar. "Eu tenho medo de circular por aqui quando a Polícia Militar começa a atirar", disse Molina.

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