Genebra, 19 (AE-REUTERS) - Se o balão Breitling Orbiter 3A conseguir completar a circunavegação do mundo, neste sábado (20)
isto será possível graças a uma mudança estratégica de combustível, e pela obtenção do direito de sobrevoar a China, dizem especialistas.
Nesta sexta-feira, o balão - de 55 metros de altura - que quebrou mais um recorde, agora o de mais longo vôo ininterrupto, por qualquer tipo de veículo aéreo, sem necessidade de reabastecimento. Nesta semana, ele já havia empatado com o recorde de distância.
O veículo, uma combinação de balão de ar quente com balão de hélio, pesa nove toneladas, e foi construído pela Cameron Balloons, de Bristol, Inglaterra.
O fundador e diretor da empresa, Don Cameron, foi também o criador dos dois modelos "Orbiter" anteriores, que falharam na volta ao mundo.
Desde a decolagem, em 1º de março, na Suíça, os pilotos Bertrand Piccard, suíço, e o britânico Brian Jones trabalharam, dormiram, e comeram na pequena cabine pressurizada do balão, onde as temperaturas às vezes caíam a 8 graus Celsius.
Assim como os dois modelos anteriores, este "Orbiter" foi patrocinado pela companhia suíca Breitling, e é um protótipo, equipado com sistemas experimentais. A Breitling fabrica cronômetros e outros equipamentos de precisão. A empresa não revela quanto foi investido na aventura.
"É parte do sonho", diz o diretor de projetos da companhia, Stefano Albinati.
O primeiro "Orbiter" caiu no Mediterrâneo poucas horas após a decolagem, em janeiro de 97. Já o segundo parou em Myanmar, em fevereiro de 1998, ao tentar contornar a China.
Depois de uma visita de Piccard a Pequim, o governo chinês concordou em abrir um estreito corredor de seu espaço aéreo para balonistas tentando dar a volta ao mundo. Mas o corredor foi fechado depois que o balão do milionário britânico Richard Branson saiu do curso, e recusou-se a pousar como ordenado. No fim do mês passado, a China voltou a abrir o corredor para Piccard.
Para este "Orbiter" mais recente, os construtores abandonaram o querosene - um combustível mais leve - e optaram pelo propano líquido, tradicionalmente usado em balões de corrida. Segundo a Breitling, a experiência acumulada por balonistas com o uso do propano ampliaria a confiabilidade do veículo.
Os engenheiros também aumentaram em 20% a reserva de combustível do balão, garantindo que houvesse o suficiente para os 21 dias que, estimava-se, a aventura deveria durar.
O combustível está contido em 28 cilindros de titânio, pesando mais de 100 quilos cada. Baterias de chumbo, recarregadas por 20 painéis solares, fornecem a energia para as necessidades diárias.
A cápsula onde os balonistas trabalham está equipada com aparato eletrônico de navegação e sistemas de comunicação por satélite.
Todos os recordes quebrados pelos balonistas devem ser ratificados pela Federação Internacional de Aviação (FAI, na silga oficial), baseada na Suíça. A FAI colocou altímetros lacrados na cápsula, que serão analisados após a aterrissagem.
Cada piloto trabalha em turnos de seis horas, enquanto o colega dorme. Eles vestem trajes de fibra sintética, isolados contra o frio extremo.
Os dois tiveram gripe durante a viagem. Eles devem emergir da cápsula mais magros, e com barba. O suprimento de frutas frescas acabou em uma semana, deixando-os apenas com as frutas desidratadas. O banheiro de bordo não tem chuveiro.

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