Com público final estimado em mais de três milhões de pessoas e custo que supera os R$ 330 milhões, segundo informações extra oficiais, os atos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e a primeira viagem apostólica do Papa Francisco, foram transmitidos para quase todo o planeta e colocaram o Rio de Janeiro (RJ) e o Brasil no noticiário internacional durante toda a semana passada. A JMJ foi encerrada ontem, ao meio dia, com missa celebrada na praia de Copacabana.

Ao final, de acordo com jornalistas ouvidos pela FOLHA, a jornada atingiu saldo positivo, apesar de falhas pontuais da organização. Na segunda-feira, logo após desembarcar no país, por exemplo, a comitiva do pontífice acabou num engarrafamento no centro da cidade, quando seguia para a sede do governo estadual. A mobilidade urbana também teve problemas. Mesmo com milhares de peregrinos inscritos previamente, a Prefeitura do Rio de Janeiro não conseguiu traçar uma estratégia adequada de transporte, mesmo tendo decretado feriado municipal durante a JMJ, os participantes enfrentaram longas filas para pegar ônibus e metrô. O problema foi minimizado nos últimos dias do evento.

Também faltaram informações para os peregrinos sobre o acesso ao "kit" que usariam na vigília de sábado. Com a mudança de última hora dos atos finais do bairro Guaratiba, na zona oeste, para Copacabana, na zona sul, não houve tempo de melhorar a infraestrutura necessária e até mesmo para ir ao banheiro as filas eram intermináveis.

Um dos maiores temores antes da JMJ ficou restrito ao primeiro dia, quando houve protesto violento que tomou conta de ruas próximas ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual. O principal alvo das cobranças foi o governador Sergio Cabral (PMDB).

Parta a produtora de TV, Geriane Oliveira, o Rio se saiu melhor que Madri, local da JMJ anterior. "Eu acredito que esteja bem melhor do que Madri. Quanto a mudança de Guaratiba para Copacabana eu me lembro que no Canadá deu chuva quando estavam no campo e complicou bastante. A mudança aqui foi ótima." Para ela, a JMJ está rica em belas imagens, mas quanto aos bastidores, houve problemas. "Quando começou de fato e chegamos aqui melhorou bastante, mas antes de começar a JMJ, para conseguir informações do material do apoio, tive dificuldades."

O jornalista pernambucano, Eduardo Amâncio, também criticou as falhas de comunicação que prejudicaram profissionais e até peregrinos. "Faltou comunicação precisa para quem estava nos bastidores do evento, como nós, jornalistas."

Experiente em coberturas de eventos no Rio de Janeiro, o jornalista Rodrigo Viga, disse que esta jornada foi bastante cansativa. "O número de pessoas foi exponencialmente maior do que na Copa das Confederações e isso complica a nossa vida, porque tem muito mais bloqueios, ruas interditadas e isso significa que temos que peregrinar." Para ele, "uma lição a tirar desta jornada é a necessidade de se preparar melhor a começar pelo engarrafamento que o Papa enfrentou e a saída dos eventos depois de encerrados na praia."

Viga avalia que "o grande mico da JMJ" foi a mudança de Guaratiba para Copacabana. "Ali é um valão, terreno que sempre minou água e nunca foi confortável. Sabia-se que poderia dar problema, mas por questões financeiras as autoridades optaram por Guaratiba, que nunca antes na história do Rio de Janeiro entrou na agenda de grandes eventos." Ele informou que a alternativa inicial, uma base da aeronáutica, foi negada pela prefeitura porque custaria a remoção da iluminação da pista.

Gustavo Sanches, jornalista argentino, vai deixar o Brasil com uma imagem positiva. "Devemos também dizer que a população do Brasil é sensacional, impressionante. Existe uma alegria que nos contagia." O colega dele, Alejandro D’Alessandro, concorda. "Como sempre acontece em grandes eventos temos algumas críticas, mas são construtivas. Sabemos que são muitos jornalistas credenciados e isso também dificulta um pouco, mas nós argentinos tivemos uma boa recepção aqui no Brasil." Segundo o Comitê Organizador Local, foram cerca de 6 mil jornalistas credenciados.

Questionado sobre que nota daria para a organização do evento, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), desconversou. "A nota eu deixo para vocês darem. Só sei dizer que o Rio viveu uma invasão do bem neste dias."


O repórter viajou em parceria com a Rádio Paiquerê AM

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