Balanço da Funasa revela aumento de 105% no número de casos de febre amarela no País
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 17 (AE) - O Brasil registrou aumento de 105% nos casos de febre amarela nos últimos 12 meses. Segundo levantamento da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), até o fim do ano passado havia 70 casos em todo o território nacional, ante 34 em 1998. Apesar disso, o ministro da Saúde, José Serra, descartou hoje, no Recife, a possibilidade de uma campanha de vacinação em massa no País.
O total de casos registrados em 1999 foi o segundo maior nos últimos 20 anos, conforme a Funasa. O número de mortes cresceu 66,6% nesse período. Mais da metade dos casos ocorreram no Pará. Em 1993, houve 83 casos da doença e 19 mortes. Em 1999, ocorreram 25 mortes, dez mais que em 98. Esse crescimento ocorreu mesmo com o aumento das doses de vacina, de 32,6 milhões para 49 milhões.
No balanço da Funasa, todos os casos de febre amarela dos últimos 12 meses foram em Estados do Norte e Centro-Oeste. No Pará, o aumento foi de 23 casos, em 98, para 36 em 99 (56%). No Tocantins, houve 16 casos em 99. Com exceção de Rondônia, Acre e Amapá, sem casos nos últimos 12 meses, e de Roraima, onde a incidência caiu quase 50%, nos demais Estados houve crescimento. Desde 1980, só Minas Gerais registrou casos de febre amarela fora do eixo Norte-Centro-Oeste. Retorno - O governo voltou a atenção para a febre amarela depois da ocorrência de um caso em Brasília, no fim de 99. Um estudante
que morreu, tinha contraído a doença em Alto Paraíso (GO), assim como sua irmã, já fora de perigo. A secretaria de Saúde de Goiás está tratando a situação como "de risco". Seu boletim mais recente informa que nos últimos 20 dias foram notificados nove casos de suspeita, oito casos confirmados e três mortes. Todos são de pessoas da área rural. Duas pessoas foram contaminados no Tocantins e uma ainda está sendo investigada.
Uma equipe do governo de Goiás vai amanhã para Minaçu, norte do Estado, avaliar a situação na região, já que existe a possibilidade de os casos terem sido causados pelo desequilíbrio ecológico decorrente da construção da Usina Serra da Mesa. Segundo o secretário de Saúde do Estado, Fernando Cupertino, foi identificada uma área de circulação do vírus em nove municípios da região (Minaçu, Uruaçu, Cavalcante, Campinorte, Montivideu, Trombas, Colinas do Sul, Campinaçu e Niquelândia).
Outra equipe da secretaria seguiu hoje para Alto Paraíso
onde surgiram dois dos casos registrados em Brasília nos últimos dias.


