Curitiba- O Departamento Nacional de Intra-estrutura de Transportes (Dnit) vai colocar balanças provisórias antes da ponte sobre a represa Capivari/Cachoeira, na BR-116. As balanças, uma no sentido norte e outro no sul, vão ajudar os policiais rodoviários a identificar os caminhões que têm mais de 45 toneladas, e que estão proibidos de passar pela ponte que está aberta ao tráfego. O anúncio foi feito ontem pelo Dnit junto com a divulgação do laudo oficial sobre as causas do acidente ocorrido no último dia 25, quando parte da ponte desabou.
''As balanças estão sendo colocadas porque o controle do peso era feito por meio de notas fiscais, o que é fácil de se falsificar'', explicou o coordenador geral de construções rodoviárias do Dnit, Luís Munhoz. As balanças, segundo Munhoz, devem ser colocadas num prazo de 20 dias. Quando a limitação de peso foi imposta, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que a balança era necessária. Porém o Dnit informou que não era possível disponibilizá-las, alegando que daria para verificar o peso através das notas fiscais e que os guardas estão preparados para identificar, visualmente, o peso dos caminhões.
Munhoz e o coordenador de Estruturas do órgão, Eduardo Calheiros, vieram ontem de Brasília a Curitiba para anunciar o laudo das causas do acidente. Segundo o laudo, o excesso de chuva no dia acidente motivou a queda da ponte. ''Só no dia choveu mais de 80 milímetros, sendo que a média para janeiro inteiro é de 160 milímitros. Foi isso que fez o aterro ceder'', explicou Calheiros.
Segundo o engenheiro, era impossível de prever o acidente. ''Mas agora o problema já está sendo controlado. Durante este feriado a pista só deve ser interditada se novamente tiver uma chuva muito forte'', afirmou Calheiros.
O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) informou que em janeiro deste ano choveu 212,6 milímetros na região da represa. Só no dia 25, quando aconteceu o desabamento, choveu 81,8 milímitros. O maior pico de chuva foi registrado entre 22h30 e 22h45, com 12,4 milímitros e das 22h45 e 23h, com 9,4 milímitros. O acidente aconteceu pouco depois desse horário. Segundo o meteorologista Marcelo Brauer, o maior pico de chuva, em 15 minutos, registrado local foi de 18 milímetros no dia 24 de janeiro de 1998.
O coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo Gizzi, disse ontem que todos os documentos que o Crea-PR solicitou foram enviados. Segundo ele, não foi pedido laudo das últimas inspeções e nenhuma obra foi feita nos últimos seis meses. O Crea-PR pediu ao Dnit os nomes dos projetistas e executores do projeto inicial da ponte e da obra de reforma. Também pediu a relação de todas as obras de reparos e manutenção feitas na ponte nos últimos seis meses e o laudo dos profissionais que fizeram a última inspeção na ponte. Segundo o superintendente do Crea-PR, Celso Ritter, apenas os nomes dos profissionais foram entregues no prazo e por isso o órgão solicitou ajuda ao Ministério Público (MP) federal.

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