Brasília, 5 (AE) - A balança comercial brasileira registrou em abril um superávit de US$ 30 milhões, resultado de exportações no valor de US$ 3,705 bilhões e importações de US$ 3 675 bilhões. Os números foram divulgados hoje pelo secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Mário Marconini.
O saldo acumulado no primeiro quadrimestre do ano, porém
continua negativo em US$ 779 milhões. As importações totalizam US$ 14,526 bilhões e as exportações estão em US$ 13,747 bilhões.
A greve dos funcionários da Receita Federal, ocorrida nos dias 29 e 30 de abril, prejudicou o resultado da balança, segundo Marconini. "Se não fosse a greve, o superávit (em abril) teria sido maior", garantiu.
Por causa da paralisação dos fiscais, o saldo médio das exportações diárias caiu de US$ 194,4 milhões, até o dia 28, para US$ 133,3 milhões, nos dias 29 e 30. As importações também sofreram efeito da greve, com o saldo médio caindo de US$ 186,5 milhões para US$ 139,5 milhões.
Apesar dos resultados, Marconini afirmou que a balança comercial fechará o ano com superávit, num valor superior aos US$ 2 bilhões ou US$ 3 bilhões que estão sendo estimados por algumas consultorias. Ele considerou as projeções em torno de US$ 7 bilhões como "mais realistas", e informou que o governo está trabalhando na nova estimativa para este ano, a ser divulgada "nos próximos dias". Os US$ 11 bilhões previstos no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não serão atingidos, admitiu o secretário.
Na análise do ministério, "a conjuntura internacional continua afetando negativamente a retomada das exportações brasileiras." O ganho de competitividade proporcionado pela desvalorização do real ante o dólar não está sendo integralmente repassado ao exportador. Os principais compradores, sabendo dos ganhos dos produtores brasileiros, têm pressionado por redução nos preços.
Além disso, a queda nas cotações das commodities evita o crescimento das receitas das exportações. Finalmente, há o problema do crédito aos exportadores.
Segundo Marconini, as linhas de crédito à exportação praticamente retornaram aos mesmos níveis de antes da crise da Rússia. A oferta disponível no momento é de cerca de 90% do valor anterior a agosto de 98. "Mas ainda há dificuldade em repassar o crédito ao exportador, pois o sistema financeiro ainda está cobrando taxas de risco altas", admitiu o secretário.
Ele informou que o volume de Adiantamento de Contratos de Câmbio (ACC) estão hoje em níveis superiores a US$ 100 milhões, mas não chegam aos US$ 223 milhões de antes da crise. Serão necessários de 90 a 180 dias para que os reflexos da retomada do crédito apareçam na balança comercial, segundo o secretário.
O governo aposta na melhora nas exportações a partir da retomada do crescimento dos Estados Unidos, destino de 18% das exportações brasileiras. O País também deverá aumentar suas vendas aos países asiáticos, sobretudo àqueles afetados pela crise de 97, que agora estão voltando a crescer.
A previsão do FMI é de que o comércio mundial aumentará 2,3% neste ano. Esses dois efeitos contrabalançarão a queda nas vendas brasileiras na América Latina. "No caso da Argentina, os novos cortes fiscais acordados com o FMI deverão pressionar o crescimento da economia e, portanto, diminuir a capacidade de compra externa do país", disse Marconini.

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