Brasília, 02 (AE) - A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 93 milhões no mês de julho - o quarto saldo positivo do ano, segundo dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações totalizaram US$ 4,117 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 4,024 bilhões. No acumulado do ano
no entanto, a balança comercial continua com déficit de US$ 525 milhões. A projeção apresentada pelo governo no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) é de um superávit de US$ 3,7 bilhões neste ano.
A greve dos caminhoneiros foi apontada pelo governo como uma das responsáveis pela redução no fluxo de exportações na última semana do mês. A média diária das exportações era de US$ 193,9 milhões até a quarta semana de julho. Com o início da paralisação, os valores médios caíram para US$ 164 milhões. Dessa forma, a média mensal ficou em US$ 187,1 milhões.
O setor que mais deixou de exportar por causa da greve foi o industrial, segundo dados pelo MDIC. A média diária de embarques ao exterior do setor caiu 20% na última semana de julho. A média vinha de US$ 137,8 milhões e caiu para US$ 109,8 milhões.
Apesar de modesto, o superávit registrado em julho seguiu-se ao déficit de US$ 144 milhões registrado em junho. Naquele mês, as exportações somaram US$ 4,313 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 4,457 bilhões.
Acumulado - Apesar de a balança comercial ainda registrar déficit no resultado dos primeiros sete meses do ano, os dados do MDIC mostram uma melhora no saldo. Enquanto de janeiro a julho de 98 o déficit era de US$ 2,269 bilhões, o acumulado deste ano está em US$ 525 milhões. Houve, portanto, uma redução de 76,8% no déficit.
A recuperação da balança comercial se deve, no entanto, à queda nas importações no período. As exportações, que somaram US$ 26,563 bilhões até julho, ainda continuam 14,1% abaixo das realizadas em igual período de 98. As importações que chegaram em 99 a US$ 27,088 bilhões, são 18,4% menores do que as realizadas de janeiro a julho de 98.
Técnicos do governo têm apontado a queda nos preços das commodities como o principal fator pela frustração nas exportações. Já a queda nas importações se deve principalmente à redução no volume de compra de bens de consumo, que caíram 30%. Segundo análise do MDIC, a queda ocorreu porque esse tipo de produto é mais sensível à mudança na política cambial e, por isso, seu consumo tem sido substituído por bens produzidos no País. A retração econômica levou também à queda nas importações dos bens capital, que ficaram 12% abaixo do registrado no ano passado, e de matérias-primas, que caíram 17%.

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