Balança pode se recuperar mesmo com valorização do real
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 27 (AE) - A balança comercial deverá recuperar-se mesmo se o real continuar a se fortalecer frente ao dólar. Isso poderá ocorrer por causa dos resultados que a recuperação da economia vão provocar no comércio exterior, por meio do aumento da produção e de acesso a créditos mais baratos. Essa avaliação foi feita hoje pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, que analisou os resultados da balança comercial de 1999, que registrou déficit de US$ 1,199 bilhão.
Segundo ele, se o real se recuperar, isso significa que os investidores vão ter mais confiança no País, o que vai alavancar a economia e permitir que haja linhas de financiamento a um custo mais baixo. "Recuperamos em real a diferença que o câmbio mais forte impõe ao comércio", disse.
De acordo com o ministro, há possibilidade de um superávit entre US$ 4 e US$ 5 bilhões este ano. "O esforço será no sentido de ampliar a base de produção e as exportações para ter divisas que nos permitam financiar equipamentos novos para nossas empresas, para que elas aumentem a produção e gerem empregos", disse. Segundo o ministro, o resultado parcial da balança comercial de janeiro, que vem registrando equlíbrio entre importações e exportações, é o sinal da recuperação das exportações.
Conforme análise do ministro, embora no ano passado as exportações tenham aumentado 7,7%, houve um declínio médio de 11 5% nos preços dos produtos exportados. "Mesmo assim, tivemos uma recuperação de mais de US$ 5 bilhões com relação a 1998", ressaltou. Em 1998, o déficit da balança comercial foi de US$ 6 590 bilhões e o de 1999 foi de US$ 1,199 bilhão.
Em 1999, o aumento nas vendas de semimanufaturados foi de 16,8%, mas os preços desses produtos caíram 15,7%. Os básicos tiveram um aumento de 8,7% na quantidade exportada, mas sofreram uma queda de 16,1% nos preços. O mesmo ocorreu com os manufaturados, cujas vendas aumentaram 4,3% no ano passado e os preços caíram 10,8%. O aumento de 7,7% nas exportações, segundo Tápias, superou a previsão de recuperação das exportações, feita pelo Fundo Monetário Internacioal (FMI), que previu crescimento de 2,8% para as economias industrializadas e de 2,4% para os países em desenvolvimento.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 48,011 bilhões contra US$ 51,140 bilhões em 1998. As importações dos Estados Unidos de produtos brasileiros aumentaram 10% no ano passado. O segundo mercado a ser recuperado em 1999 foi a ásia, para o qual as vendas aumentaram 2,1%.
Em 1998, as vendas para essa região haviam sofrido queda de 27,4% por causa da crise asiática. O mercado da Europa Oriental também cresceu 1%, contra uma queda de 11,4% em 1998.
O ministro destacou o desempenho exportador dos Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Tradicionalmente Estados com menor participação na pauta de exportações, esses foram os que apresentaram as maiores taxas de crescimento com relação a 1998. De acordo com o ministro, isso indica a desregionalização das exportações, como resultado dos esforços em promover as exportações em todo território.


