déficit. As projeções de superávit são as seguintes: US$ 820 milhões para bens intermediários, US$ 2,8 bilhões para bens de consumo e US$ 13,38 bilhões para agribusiness, que segue "financiando" o forte déficit de US$ 10,19 bilhões do bloco de bens de capital e de US$ 4,66 bilhões da conta de petróleo/derivados. As exportações devem crescer acima de 17%. "Mas as importações deverão crescer mais de 9%, considerando, ainda, que a economia não estará avançando em ritmo muito dinâmico", comenta. "A nossa expectativa é de expansão do PIB entre 2,5% e 3% em 2000." O analista da Tendências pondera que o Brasil cometeu um erro dramático por não ter investido em desenvolvimento tecnológico. "O resultado desse atraso é que a estrutura produtiva do País não é capaz de atender à demanda interna por bens mais sofisticados", afirma. "Nossa esperança é que o agribusiness possa ser uma saída para o desenvolvimento comercial e o Brasil não precisa envergonhar-se de ter uma economia agroindustrial, desde que seja competitiva." Para isso, diz, será necessário ganhar terreno em estratégia, logística e marketing. "Nosso exemplo mais eloquente é a indústria do frango, que soube conquistar mercado." O agribusiness continuará sendo o grande diferencial do comércio exterior brasileiro em 2000, avalia. Ele reconhece a possibilidade (elevada) de a safra esperada para o próximo ano não ser brilhante. Ao contrário, pode ser até menor que a deste ano em decorrência da quebra da produção de arroz, feijão e milho. Mas, apesar dos estoques internacionais ainda elevados, as exportações de soja podem, no ano que vem, compensar a queda de outros produtos. Silveira lembra que neste ano os estoques internacionais de soja estão elevados, por conta da safra expressiva dos Estados Unidos. A perspectiva, porém, é de queda dos estoques no ano que vem com o aquecimento das economias asiática e européia. "No nosso caso, a contribuição das carnes (bovina e de frango) será importante e, sem dúvida, o mercado asiático fará a diferença." A queda do volume de exportações de café e açúcar deve ser compensada pela recuperação dos preços externos. O potencial de produção do parque cafeeiro no Brasil é de 40 milhões de sacas de 60 quilos de café, mas, com a estiagem, o mercado não descarta a possibilidade de quebra de safra entre 30% e 35%, o que significaria produção de 26 milhões a 28 milhões de sacas. Silveira acredita que a produção de café será maior, de cerca de 32 milhões de sacas, superando o volume deste ano. Com o preço em alta e eventual aumento no volume produzido e exportado, o café ajudará o resultado do bloco de agribusiness da balança comercial brasileira. Do lado da importação deste segmento, Silveira destaca o trigo, considerando que não há perspectiva de uma evolução dramática de preços. O governo está contando com oferta maior de trigo da Argentina e Estados Unidos, que deve suprir o déficit brasileiro do produto. Neste ano, explica, a produção nacional deve alcançar 33,8 milhões de toneladas, ante produção média histórica de 36 milhões de toneladas e demanda interna de 35 milhões de toneladas. A projeção de Silveira é de aumento de 22,7% nas exportações de bens intermediários de 1999 para 2000, ante aumento de importações de 18,7%.Por ¶ngela Bittencourt São Paulo, 14 (AE) - O governo espera superávit comercial de US$ 5 bilhões no ano 2000, mas as projeções do mercado estão convergindo para algo entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões. O analista Fábio Silveira, da Tendências Consultoria Integrada, trabalha com estimativa de US$ 2 bilhões, resultado de exportações da ordem de US$ 55,5 bilhões e importações de US$ 53 5 bilhões. Dos cinco grandes blocos de produtos analisados por Silveira (bens intermediários, bens de consumo, agribusiness e petróleo/derivados), três devem apresentar saldo positivo e dois

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