Balança de março já compromete previsão de superávit de US$ 11 bi
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Por Suzana Santos 
Rio, 26 (AE) - O saldo da balança comercial de março, até o dia 23, foi deficitário em US$ 19 milhões, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer. Para empresários presentes hoje em um encontro promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), no Rio, o dado reforça a tese de que a meta de superávit anual de US$ 11 bilhões, definida no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), está comprometida.
Segundo os empresários, a falta de financiamento, os altos custos de fretes pagos a armadores estrangeiros, que ficam registrados como saída de divisas, e a pressão por descontos em dólar nas exportações brasileiras podem minimizar o resultado das exportações.
O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, prevê que o déficit do primeiro trimestre deverá ser revertido no segundo trimestre e que o superávit na balança aparecerá de forma mais expressiva somente no segundo semestre. Ele estima que o superávit anual da balança será de apenas US$ 6 bilhões, valor bem abaixo das estimativas do governo.
O déficit acumulado no ano até o dia 23 é de US$ 554 milhões. Mas com a queda do dólar existe uma pressão de importadores que querem aproveitar o atual patamar da moeda para internar produtos que estão estocados nos portos sem registro final de entrada no País.
Até o ministro Lafer considera a meta de superávit de US$ 11 bilhões "ambiciosa". Ele destacou que "a meta de superávit do governo é o objetivo a ser alcançado, não é necessariamente uma obrigação a ser cumprida nos seus exatos termos".
Lafer ressaltou que está convencido de que a meta de redução de importações, em cerca de 20%, é factível, mas que a meta de ampliação de exportações, em 10%, "é um desafio". O fechamento da balança em março registrará déficit, segundo estimativa do ministro.
O ministro disse estar muito preocupado com a escassez de crédito nas linhas comerciais, mas que tem certeza de que haverá recuperação da oferta de recursos, considerando a divulgação de comprometimento de bancos internacionais em manter o crédito para o País.
Crédito - O governo está empenhado em fazer com que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco do Brasil fortaleceçam o crédito às exportações. Lafer informou que está em estudo um remanejamento interno das verbas do BNDES, de acordo com a demanda por financiamento.
As linhas comerciais de crédito ficaram fracas em março, o que contribuiu para que a entrada de importados fosse mais expressiva do que a recuperação das exportações.
O vice-presidente da AEB, Márcio Fortes de Almeida, estima as linhas de Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC) ganhem fôlego novamente a partir do segundo trimestre. Ele informou que alguns bancos operaram em fevereiro com apenas 30% da oferta de ACC registrada no mesmo mês do ano passado.
Durante o encontro do setor de comércio exterior, Furlan defendeu a tese de que os exportadores brasileiros devem evitar as pressões por descontos em dólar nas mercadorias do País, movimento que ganha força entre os países importadores do Brasil.
Ele argumentou que o ganho do exportador com a desvalorização está superdimensionada. Considerando que o dólar fique a R$ 1,70 no fim do ano e a inflação em 15%, Furlan afirmou que a desvalorização real será da ordem de 20%.
Ele lembrou que como a política cambial anterior já previa desvalorização de 8% ao ano, o ganho adicional do exportador é de apenas 12% no câmbio, o que todo o setor já pedia ao governo. O empresário alertou que alguns descontos podem comprometer a margem de lucro do setor.


