Balança comercial tem superávit na quarta semana do mês
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domingo, 26 de março de 2000
Por Paula Andrade 
Brasília, 27 (AE) - A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 192 milhões na quarta semana de março. É o melhor resultado semanal do ano. A principal explicação para o bom desempenho, porém, é a baixa quantidade de importação de petróleo. Também contribuiu para o saldo positivo o aumento de 51,7% nas exportações de produtos manufaturados - obtido, basicamente, com a venda de aeronaves.
É possível que as importações brasileiras sofram o impacto de um maior volume de ingresso de petróleo nas próximas semanas. A própria secretária de Comércio Exterior, Lytha Spindola, disse na quinta-feira passada que a Petrobras praticamente não havia comprado petróleo no início de março, e que as importações deveriam crescer no final deste mês.
O saldo da balança comercial em março subiu de US$ 39 milhões na terceira semana para US$ 231 milhões positivos na semana passada. O acumulado do ano chegou a US$ 215 milhões de superávit, depois de ter atingido os US$ 23 milhões na terceira semana de março. No acumulado do ano, o Brasil já exportou US$ 11,025 bilhões e importou US$ 10,810 bilhões. A média diária das exportações está em US$ 190,1 milhões, enquanto que a das importações chegam a US$ 186,4 milhões.
Na quarta semana, as exportações somaram US$ 1,155 bilhão contra US$ 963 milhões de importações. A média diária das importações - US$ 192,6 milhões - na quarta semana do mês ficou 15,6% abaixo da semana anterior, "devido a redução nas aquisições de combustível, cereais, farmacêuticos e equipamentos mecânicos", afirma a nota da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Já a média diária das exportações chegaram a US$ 231 milhões, um aumento de 8% em comparação com a terceira semana.
No mês, as exportações alcançam US$ 3,449 bilhões frente aos US$ 3,218 bilhões de importação. A média diária em março das exportações, de US$ 215,6 milhões, é 29,5% superior a igual período no ano passado e 9,8% maior que a de fevereiro de 2000. Já a média das importações, de US$ 201,1 milhões, é 14,2% superior a de igual período do ano anterior.
A média diária de importação de petróleo ficou em US$ 19 3 milhões na semana passada - contra US$ 35,8 milhões na semana anterior, quando a balança registrou seu pior saldo semanal do ano. Em fevereiro de 2000, a média diária das importações de petróleo foi de US$ 25,5 milhões, número 5,5% menor do que o que está sendo registrado em março. No entanto, na comparação com igual período do ano anterior, houve um aumento de 23,7% nos gastos com a importação do óleo.
As exportações de manufaturados cresceram 51,7%, principalmente material de transporte, "responsável pelo bom resultado da semana", como informou a Secex. O ritmo das vendas de produtos manufaturados apresentam, em 2000, uma trajetória de crescimento com relação ao ano passado. Até a quarta semana de março, houve uma expansão de 42,4% sobre igual período do ano passado, e de 12,9% com relação a fevereiro.
Em ritmo um pouco mais lento seguem as exportações de produtos básicos, 12,2% maiores em relação a igual período do ano passado, e 24,9% frente fevereiro de 2000. Já as vendas de produtos semimanufaturados sofreram uma queda de 10,4% sobre o mês passado, apesar de terem subido 16,1% ante março de 99. Os destaques dessa semana foram as vendas de aviões, aparelhos transmissores e receptores e papel.
Nas importações, houve um crescimento de 4,4%, frente a fevereiro desse ano, e de 14,2% em comparação com março de 99. A chegada da Semana Santa e da Páscoa provocou uma alta nas compras de cacau e de peixes e crustáceos. No caso do cacau, a média diária passou de US$ 200 mil para US$ 600 mil. O salto nas compras de peixes foi ainda maior, de US$ 1,9 milhão para US$ 3 3 milhões. Porém, a média diária das importações se manteve estável graças a pequenas reduções nas compras de outros produtos.


