Brasília, 01 (AE) - A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 219 milhões em fevereiro, o primeiro desempenho positivo desde junho do ano passado, quando houve um superávit de US$ 41 milhões. As exportações nos 18 dias úteis de fevereiro somaram US$ 3,267 bilhões contra importações de US$ 3,048 bilhões.
Conforme os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a média diária das exportações em fevereiro foi de US$ 181,5 milhões, enquanto a média nas importações ficou em US$ 169,3 milhões. Com este primeiro superávit, que já reflete parcialmente os efeitos da liberação do câmbio - que entrou em vigor no dia 15 de janeiro passado -, o déficit acumulado no ano cai para US$ 535 milhões.
Este primeiro resultado positivo sinaliza uma tendência que o governo espera ver concretizada para os próximos meses, ou seja, exportações crescentes e importações cada vez mais reduzidas, ocasionadas pela mudança na política cambial.
Em janeiro passado, o déficit da balança comercial foi de US$ 754 milhões, decorrente de importações de US$ 3,70 bilhões e exportações de US$ 2,946 bilhões. A média diária das exportações em janeiro ficou em US$ 147,3 milhões, contra uma média diária de importações de US$ 185 milhões.
O resultado negativo de janeiro, segundo técnicos do Ministério do Desenvolvimento, ainda foi consequência da retração da demana internacional por mercadorias, deflagrada com a crise asiática e agravada com a moratória da Rússia em agosto do ano passado.
Equilíbrio - Ao contrário do ano passado, quando a balança fechou o ano com um déficit de US$ 6,430 bilhões, resultante de um total de US$ 51,120 bilhões em exportações e US$ 57,550 bilhões em importações, o governo espera alcançar um superávit ou pelo menos obter um equilíbrio nas transações comerciais externas do País este ano.
O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer, acredita ser possível obter um superávit entre US$ 2,5 bilhões e US$ 5 bilhões em 1999 com a liberação do câmbio. Para que isto aconteça, no entanto, o governo precisa revolver um sério entrave: crédito aos exportadores, que está cada vez mais díficil.
Além da dificuldade em obter recursos externos em financiar as exportações , a própria mudança no câmbio ocasionou uma perda no orçamento do Programa de Financiamento às Exportações (Proex), previsto em R$ 1,8 bilhão para este ano, em torno de 66%.
Diante desse quadro, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), realiza uma reunião nesta quinta-feira com os principais dirigentes de bancos oficiais e privados (nacionais e estrangeiros) para discutir alternativas de financiamento ao comércio exterior.

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