Balança comercial registra superávit de US$ 15 mi em março
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 01 (AE) - A balança comercial brasileira apresentou em março um superávit de US$ 15 milhões. Este é o segundo resultado positivo da balança comercial desde a mudança cambial em janeiro deste ano, mas ainda não reflete o ganho de competividade das exportações brasileiras com a desvalorização do real frente ao dólar. No acumulado do ano, a balança comercial ainda apresenta um déficit de US$ 520 milhões. O saldo de março é bem inferior ao de fevereiro, quando a balança apresentou um superávit de US$ 219 milhões. A balança comercial começou o ano apresentando um déficit de US$ 754 milhões em janeiro.
As exportações brasileiras chegaram em março a US$ 3,829 bilhões, apresentando uma queda de 10,39% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as importações caíram 24,31% em relação a março de 1998, atingindo US$ 3,814 bilhões. O resultado do primeiro trimestre desde ano é bem melhor do que o do ano passado, quando a balança comercial apresentou um déficit de US$ 1,512 bilhão. Mesmo assim, ainda está longe da previsão de superávit de US$ 11 bilhões em 1999, que consta na revisão do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para atingir essa previsão, seria necessário superávits de mais de US$ 1 bilhão por mês até o fim do ano.
As vendas extenas de café, carne de frango, soja em grão
carne bovina e óleo de soja e aviões puxaram as exportações no primeiro trimestre. As vendas de óleo de soja apresentaram crescimento de 202,6% em relação aos três primeiros meses do ano passado. As exportações de carne bovina cresceram 68,8% e as de soja em grão, 27,6%. No primeiro trimestre do ano passado, a balança comercial apresentou um déficit de US$ 1,512 bilhão.
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Mário Marconini, o desempenho de março ainda não sofreu o impacto da desvalorização do real por causa da "forte contração" das linhas de financiamento às exportações. "Por outro, lado a importação apresentou crescimento no decorrer das quatras semanas de março devido à valorização do real, no período, que estimulou a efetivação dos registros", disse Marconini. É que muitos importadores represaram a entrada dos produtos já contratados a espera de uma queda da cotação do dólar, o que só ocorreu em março. Com isso, as importações de março foram US$ 766 milhões superiores a fevereiro, quando o Brasil comprou do exterior US$ 3,048 bilhões.
O secretário de Comércio Exterior informou ainda que os dados de importação do trimestre divulgados hoje foram apurados com base no registro das Declarações de Importação (DIs). Por este método, as importações são contabilizadas com base no registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), antes do produtos entrarem no País. Já o valor das exportações é estabelecido quando o produto é desembaraçado, ou seja, quando deixa efetivamente o País. Em outubro do ano passado, o governo resolveu mudar de metodologia, igualando o critério das exportações ao das importações, para evitar o registro de um déficit maior na balança comercial em função de uma greve dos fiscais da Receita Federal, como ocorreu em agosto. Neste mês, os grevistas deixaram de contabilizar as exportações brasileiras
enquanto as importações continuavam sendo resgitradas no Siscomex.
A mudança de metodologia provocou, no entanto distorções no resultado da balança e, no final do ano passado, o governo voltou ao critério antigo e prometeu divulgar dois números da balança comercial, o que ainda não aconteceu. Um teria como base os produtos registrados no Siscomex e o outro com os produtos efetivamente desembaraçados na alfândega.


