Brasília, 10 (AE) - O saldo da balança comercial foi negativo em US$ 31 milhões na primeira semana de abril. A paralisação de funcionários da Receita Federal durante dois dias na semana passada influenciou o desempenho das exportações brasileiras, de acordo com técnicos da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A paralisação, segundo a Secex, reduziu a liberação dos registros de exportação. Nos dias 4 e 5 de abril as vendas foram de US$ 51,8 milhões e US$ 47,2 milhões respectivamente, bem abaixo da média diária registrada na semana
de US$ 188,8 milhões. Na primeira semana de abril as exportações somaram US$ 944 milhões e as importações US$ 975 milhões.
No acumulado do ano, o saldo da balança comercial está negativo em US$ 5 milhões. Esse desempenho afastou ainda mais o resultado efetivo que o Brasil vem conseguindo no comércio exterior da meta estipulada pelo governo de fechar o ano com um superávit de US$ 4 bilhões. Há duas semanas, o Banco Central (BC) confirmou esse objetivo e previu um saldo de US$ 100 milhões para o primeiro trimestre. Nesse período, porém, o resultado foi um pequeno superávit de US$ 26 milhões. Para os segundo e terceiro trimestres, o BC prevê superávits de US$ 1,5 bilhão em cada período e superávit de US$ 1,4 bilhão no último trimestre.
O subsecretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho, atribuiu a distância entre o estipulado pelo BC e o saldo real do primeiro trimestre à alta do preço do barril do petróleo, que chegou a elevar os custos com a importação do produto em 66,1%. Na semana passada, porém, a conta petróleo, principal razão pelo fraco desempenho da balança no primeiro trimestre, não influenciou no resultado e os gastos com as importações desse produto recuaram 35,4% com relação à media diária de março.
A média diária das exportações no período de 1º a 8 de abril foi 11,4% menor do que a média registrada no mês de março e 1,9% maior do que a de abril de 1999. Na semana passada, houve queda de 17% nas vendas dos produtos manufaturados, categoria cuja participação na pauta brasileira de exportação vem crescendo desde o fim do ano passado. As exportações dos produtos básicos também recuaram 5,2% com relação ao mês de março. As vendas dos seminanufaturados, porém, cresceram 3%.
As exportações que mais diminuíram na semana passada com relação a março foram as de produtos do setor de material de transportes, de químicos, de equipamentos mecânicos e de minérios.
No caso das importações, a média diária foi de US$ 195 milhões, 7,6% menor do que a média diária de março, mas 6,2% maior do que a registrada em abril de 1999. Com relação a março foram importados menos cereais (37,5%), combustíveis e lubrificantes (35,4%), produtos farmacêuticos (21,8%), automóveis e partes (12,1%), instrumentos de ótica e precisão (11,1%) e equipamentos mecânicos (7,8%).

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