Balança comercial deverá gerar superávit de US$ 12.640 bilhões
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domingo, 19 de março de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 20 (AE)- A balança comercial no setor de alimentos deverá gerar um superávit comercial da ordem de US$ 12.650 bilhões em 2000, ligeiramente superior aos US$ 11,4 bilhões obtidos no ano anterior. Os baixos preços do grão -- as commodities agrícolas -- ainda são um entrave para um melhor desempenho.
"A expectativa ao longo do ano é que os preços tenham uma progressiva reação, favorecendo a balança", afirma Fábio Silveira, analista do setor da Tendências & Consultoria, à Agência Estado. As exportações, que no ano passado somaram US$ 15,4 bilhões, tendem a atingir US$ 16.650 bilhões enquanto as importações devem continuar estáveis na cifra dos US$ 4 bilhões.
Na lista dos produtos exportados "o maior perdedor neste ano" será o açúcar. O fato se explica por uma somatória de empecilhos. O Brasil, maior exportador mundial, sofrerá uma redução de 10% no volume de produção do sucroalcoleiro e historicamente exporta 50% do total.
Além da queda outros dois fatores de peso estão influenciando negativamente os negócios: a China, um dos maiores países importadores aumentou a sua produção de cana de açúcar e consequentemente reduzirá as compras, gerando um excedente do produto no mercado. O segundo fator é que com a crise russa o país diminuiu as compras nos mercados externos. Os negócios operados em janeiro dão clara demonstrações do cenário. A receita fechou negativa 31%, o volume caiu 8% e os preços reduziram 26%.
Carnes e Suco - Os números mostram que quem poderá salvar o segmento, neste ano, será o setor de carne e suco de laranja. Apesar de os preços ainda estarem deprimidos em 21% a carne de frango encerrou o mês de janeiro com alta de 73% no volume e 37% na receita. A bovina teve uma trajetória semelhante
cresceu 23% no faturamento e 63% no volume, os preços, no entanto, permanecem 25% abaixo dos registrados em janeiro do ano passado. O suco de laranja acena com otimismo. No mês em análise a receita ficou 25% superior, com acréscimo de 43% no faturamento e os preços 13% mais baixos.
Silveira chama a atenção para o caso da soja, lembrando que os Estados Unidos é o maior produtor mundial, com produção estimada em 80 milhões de toneladas. "A eleição americana irá favorecer ainda mais o produtor", afirma. Ele acrescenta que a tendência para este ano é que haja uma produção ainda maior da produção americana, inibindo a recuperação dos preços brasileiros, que já se encontram deprimidos .
"Neste caso, a recuperação levará pelo menos dois anos", prevê. Em janeiro a soja apresentou resultado negativo de 71% na receita, queda de 55% no volume colocado no mercado externo e os preços em queda livre, com recuo de 36%. Do ponto de vista da inflação, acrescenta, os preços estão generosos e são benéficos às exportações.
Importações - No caso das importações, a maior queda no período foi provocada na compra arroz, quando as compras no mercado externo caíram 47% no volume, 67% na receita e 37% nos preços. Além disso, o consumo de arroz está estagnado desde a implantação do real, segundo o economista.
Diante disso, explica, a retração nas importações deverá se manter ao longo deste ano. "O estoque atual é quatro vezes maior que o volume importado em 1999", afirma. Para se ter uma idéia, o estoque hoje é de 1,3 milhão de toneladas ante 250 mil toneladas importadas no ano anterior. O trigo que em janeiro de 1999 absorveu US$ 820 milhões em importações chegou a US$ 860 milhões neste ano, porém, com uma ressalva, queda de 15% no volume, provocada pela alta no mercado externo. O setor de laticínios, ao contrário, subiu 11% no volume.
Janeiro - Em janeiro, o saldo da balança no setor de alimentos atingiu US$ 550 milhões, 10% superior ao resultado computado no primeiro mês de 1999. As vendas ao mercado externo alcançaram US$ 820 milhões contra US$ 880 milhões no ano passado. A importação, em contrapartida, minguou caindo de US$ US$ 390 milhões para US$ 270 milhões.
Café foi o destaque do mês com uma receita de US$ 150 milhões nas exportações, ainda assim inferior aos US$ 180 milhões do ano passado. "A receita ficou 17% abaixo da anterior e o volume caiu 19%", afirma Silveira. Apesar de resultados mais baixos o café foi a única commoditie que teve recuperação de preço, embora inexpressiva. "Os preços subiram 2%", observa.


