Balança comercial deve ter superávit de US$ 10 bilhôes em 2000
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Rita Tavares e Marli Olmos 
São Paulo, 25 (AE) - A balança comercial brasileira deve ter um superávit de US$ 10 bilhões no próximo ano. A previsão é do economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, que acredita que a projeção do governo para este ano, US$ 4 bilhões, é bastante factível. Segundo ele, ambas as projeções levam em conta três elementos: a desvalorização da taxa de câmbio, a queda do preço das commodities no mercado internacional e o desaquecimento do comércio internacional. O economista fez hoje palestra no lançamento da parceria entre a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP) e a Agência Estado, para a divulgação de pesquisas no produto eletrônico Infocast.
Pastore acredita que o aumento das exportações no próximo ano será um estímulo à atividade econômica interna, reduzindo a dependência do País ao fluxo de capitais externos. Em 1999, no entanto, a economia brasileira ainda estará dependente desses capitais.
Recuperação - Para o ex-presidente do BC, o aprofundamento recessivo da economia brasileira parou. Hoje, já há alguns setores em recuperação e uma evidência dessa situação é o índice de desemprego relativo ao mês de maio, divulgado ontem pelo IBGE. Houve uma pequena melhora em relação ao mesmo mês do ano passado, embora este mês seja, historicamente, o de maior índice de desemprego no País.
De acordo com o economista, os setores de bens duráveis de consumo e bens de capital ainda continuam em retração. Isso porque, a partir da desvalorização cambial, o crédito ao consumidor final foi muito reduzido. A retomada da produção está ocorrendo em setores como o de produtos têxteis de alimentos e de bebidas. Os índices de venda no varejo desses setores confirmam o reaquecimento.
Juros - Pastore elogiou a postura do Banco Central ao reduzir o juro básico de 22% para 21% ao ano, mesmo que a alteração tenha frustado o mercado que a considerou conservadora. "O Banco Central tende a continuar baixando a taxa de juros, mas deve fazer isso com lentidão, quando estiver certo que o passo pode ser dado sem risco", ponderou o ex-presidente da instituição. Segundo ele, o efeito na economia real de fazer duas reduções nos juros em trinta dias é "praticamente o mesmo" de fazer uma única alteração. "Isso importa apenas para o dealer que opera uma mesa de câmbio", disse, comentando que "o perigoso seria reduzir demais o juro para depois subir de novo quando percebe-se que havia cometido um erro".
Inflação - Para Pastore, a equipe econômica deve manter a desvalorização cambial e evitar o aumento dos juros. Segundo ele, a desvalorização terá efeito inflacionário nulo, diferentemente do que ocorreria com a alta dos juros. "Portanto
temos que rifar o modelo Gustavo Franco e ficar com o de Armínio Fraga", destacou.
Para ele, manter a política de desvalorização cambial, mantendo o nível das taxas de juros, significa uma "otimização do bem-estar social". Além de o efeito inflacionário ser menor, a desvalorização da moeda, lembrou o economista, estimulará a exportação. Ele destacou, ainda, o efeito menos danoso na dívida pública com esta opção, porque apenas 20% do total estão atrelados ao dólar.
O economista disse que o aumento dos juros acentuaria a recessão, resultando num custo maior para a sociedade. Ele citou cinco países asiáticos - Tailândia, Malásia, Indonésia, Filipinas e Coréia - e dois europeus - Suécia e Reino Unido - como exemplos de que a opção da desvalorização no lugar de aumento de juros causou um pequena transferência inflacionária. Na Coréia, onde houve uma depreciação do Won de 35,3% entre novembro de 1997 e novembro de 1998, a inflação do período somou 6,7%. Pastore previu que se o Brasil tiver este ano o dólar a R$ 1,80, o que representa uma desvalorização de 50%, a inflação ficará abaixo de 10% no ano.


