Brasília, 04 (AE) - Os benefícios que a desvalorização do real frente ao dólar trarão às exportações brasileiras ainda não apareceram no primeiro mês deste ano: o déficit da balança comercial no mês de janeiro deverá ficar em torno de US$ 700 milhões, quase US$ 100 milhões acima do resultado negativo de dezembro passado, que foi de US$ 594 milhões, segundo dados apurados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e que deverão ser divulgados até a próxima semana.
O saldo negativo da balança comercial ainda reflete a retração da demanda internacional por mercadorias, deflagrada com a crise asiática e agravada com a moratória da Rússia em agosto do ano passado. A crise que se abateu sobre o Brasil no mês passado e que culminou, primeiro com o alargamento da banda cambial e, por último, com a flutuação do câmbio, fez com que os negócios na área de exportação ficassem praticamente parados, segundo técnicos do setor de comércio exterior. A expectativa é de que as exportações retomem seu fluxo normal a partir do mês que vem, na medida em que a cotação da moeda americana atinja seu ponto de equilíbrio, oscilando entre R$ 1,50 e R$ 1,70.
A nova política cambial deverá estimular principalmente as exportações de commodities, em especial o complexo soja, cujas vendas no mercado externo começam a ser feitas a partir de março próximo. Embora os preços da maioria dos produtos agrícolas venham caindo nos últimos dois anos, o Brasil, que vinha perdendo terreno para outros países cujas moedas vinham sendo desvalorizadas poderá, agora, competir em melhores condições. A avaliação dos técnicos é de que o Brasil poderá recuperar parte do mercado perdido de frango,carnes bovina e suína.
Apesar da retração do mercado mundial, a expectativa do governo é a de que gradativamente as exportações brasileiras conquistem mais espaço e que as importações continuem sendo reduzidas. Em 1998, as vendas externas totalizaram US$ 51,120 bilhões, 3,5% abaixo de 1997, enquanto as importações ficaram em US$ 57,550 milhões, ou seja, 6,2% inferiores ao ano anterior. Mesmo com um saldo negativo de US$ 6,430 bilhões, houve melhora em relação a 1997, quando o déficit da balança alcançou US$ 8 357 bilhões.

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