Brasília, 21 (AE) - A balança comercial agrícola fechou o ano de 1999 com um superávit de US$ 13,4 bilhões, resultante de exportações de US$ 19,806 bilhões contra importações de US$ 6 362 bilhões, conforme dados oficiais apurados pelo Ministério da Agricultura. Segundo o secretário de Produção e Comercialização do Ministério, Paulo Cesar Samico, o superávit obtido decorreu do aumento das quantidades exportadas e da redução das importações realizadas no ano passado. A estimativa, conforme ele, para este ano, é de que o superávit do agronegócios alcance US$ 15 bilhões tendo em vista a recuperação do preço das commodities no mercado internacional e a retomada do crescimento econômico dos países desenvolvidos, especialmente os da União Européia.
Os dados do Ministério da Agricultura indicam que o setor de agronegócios (complexo soja, papel e celulose, carnes, pescado, açúcar, álcool, madeira, couro e calçados, entre outros) contribuiu com 41% do total de US$ 48,014 bilhões exportados pelo País no ano passado, enquanto teve uma participação de 12% nos US$ 49,210 bilhões importados no mesmo período. Os únicos segmentos que apresentaram déficit nas exportações realizadas em 1999 foram latícinios (menos US$ 429 768 milhões); cereais e derivados (menos US$ 1,388 bilhão); adubos e fertilizantes (menos US$ 825,560 milhões; algodão e fibras têxteis vegetais (menos US$ 197,982 milhões; e frutas e hortaliças (menos US$ 73,567 milhões).
Samico explica que o complexo soja manteve sua liderança nas vendas externas do setor agrícola em 1999, com exportações de 20,781 milhões de toneladas, ou o equivalente a US$ 3,7 bilhões. Apesar disso, houve uma perda de divisas de cerca de US$ 1 bilhão, ou 20% a menos que em 1998. Os preços do produto, por sua vez, em 1999, também tiveram uma queda de 20,39% na comparação com o ano anterior. Essa redução, conforme Samico foi consequência do excesso de oferta do produto no mercado internacional. Para este ano, no entanto, as exportações do complexo soja deverão alcançar US$ 4,5 bilhões, em função de um aumento nas cotações do produto que deverá ficar entre 15% a 20%.
Café - Já as exportações de café também foram prejudicadas no ano passado em função dos baixos preços do produto no comércio internacional. Foram exportadas 1,315 milhão de toneladas - quase 300 mil toneladas a mais de café que em 1998, ou um aumento de 27,30% no volume exportado - para obter uma receita cambial de US$ 2,441 bilhão em 1999. Em 1998 a receita do setor foi de US% 2,5 bilhões. O aumento da quantidade exportada, segundo Samico, foi a forma encontrada para compensar uma queda de 25,61% nas cotações do café no ano passado. A expectativa para este ano é de que a política de retenção de estoques adotada pelo governo ajude o setor a recuperar preços, para que as vendas externas se situem em torno de US$ 3 bilhões, conforme Samico. "O preço do café deve ter um aumento de cerca de 40% este ano", afirma.
A boa notícia no ano passado ficou com o setor de papel e celulose, que aumentou não só o volume exportado como a receita cambial. O preço médio das vendas do setor, no ano passado, teve uma redução mínima de 1,85% em relação a 1998. Somente no segmento de celulose o preço médio registrou uma valorização de 7% em comparação com o ano anterior. Foram exportados US$ 2,144 bilhões em 1999, sendo que para este ano, em função de grandes investimentos que estão sendo realizados pelas empresas no setor, a estimativa é de que as vendas externas atinjam US$ 2,5 bilhões.
Outro setor que teve bom desempenho em 1999 foi o de carnes, segundo Paulo Cesar Samico. As exportações de carne bovina "in natura" cresceram 86% em volume, ocasionando um aumento de cerca de 60% na receita cambial (US$ 443,835 milhões) em comparação a 1998, quando foram obtidos US$ 276,595 milhões com as vendas do produto. A previsão para este é de que as exportações de carnes em geral fiquem em torno de US$ 2 bilhões. Apesar do bom desempenho, Samico diz que os preços do setor estão muito deprimidos no mercado externo, o que propiciará um acréscimo de somente US$ 200 milhões em receita cambial.
Na área de pescados, as vendas de camarão em 1999, em função de programas específicos desenvolvidos para estimular o setor, cresceram 83% em volume exportado em relação a 1998. Este desempenho propiciou uma receita cambial de US$ 40,277 milhões, quase 51% a mais que 1998. No total, o setor exportou US$ 125 578 milhões, contra os US$ 104,584 milhões registrados no ano anterior.

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