São Paulo, 19 (AE) - O Brasil conseguiu em 1999 seu primeiro saldo positivo na balança comercial com os países do Mercosul nos últimos quatro anos. O superávit do País com os demais parceiros (Argentina, Paraguai e Uruguai) foi de US$ 58 964 milhões. Os dados foram divulgados hoje, em São Paulo pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Do total de US$ 48 bilhões faturados com exportações brasileiras para todo o mundo, US$ 6,77 bilhões foram obtidos no Mercosul, US$ 5,36 bilhões dos quais para a Argentina. O Brasil exportou para o Paraguai o equivalente a US$ 744,2 milhões e para o Uruguai, US$ 669,6 milhões.
Em relação à balança com a Argentina, o Brasil ficou com um déficit de US$ 448,4 milhões. Mas teve um superávit de US$ 484,4 milhões com o Paraguai e de US$ 22,9 milhões com o Uruguai.
O último superávit do Brasil com o Mercosul foi em 1994: US$ 1,338 bilhão. Já em 1998 o Brasil ficou com déficit de US$ 549,4 milhões na soma das balanças comerciais com Argentina, Paraguai e Uruguai.
Veículos - A balança comercial Brasil-Argentina no setor automobilístico resultou no ano passado num saldo em favor da Argentina de US$ 123,601. O Brasil faturou com a venda de veículos e componentes para o país vizinho um total de US$ 1,179 bilhão e importou o equivalente a US$ 1,302 bilhão.
A Argentina vem mantendo superávit no setor automobilístico, mas o volume total está caindo a cada ano. No ano passado a diferença na balança comercial entre os dois países foi de US$ 594,4 milhões.
Amanhã, representantes dos governos do Brasil e da Argentina devem concluir a proposta para o novo regime automobilístico que deverá vigorar até 2004.
O atual regime foi prorrogado apenas até o fim de fevereiro. Representantes do novo governo argentino avisaram, dias antes do início da reunião, que iriam endurecer nas negociações. Os dois países ainda não conseguiram, por exemplo, chegar a um consenso a respeito das regras para importação de veículos e componentes fora do Mercosul, bem como o comércio bilateral entre Brasil e Argentina.
Os dois países precisam padronizar alíquotas de Imposto de Importação e definir as regras para o comércio entre as ações do Mercosul, que continuará livre de impostos.
O principal impasse se refere à reivindicação dos argentinos de manter superávit na balança comercial com o Brasil. O receio é de que as montadoras transfiram as linhas de produção para o Brasil, onde os custos ficaram mais baratos em razão da desvalorização cambial.
A Fiat, a General Motors e a Ford já anunciaram a transferência de produção do Siena, de versões do Escort e da picape Silverado para o Brasil.

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