Bala perdida mata garoto no Rio
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de outubro de 1998
Gustavo Alves Agência Estado 
Um dia após o fuzilamento, supostamente por policiais militares, de uma família a caminho da maternidade, a Polícia Militar do Rio de Janeiro voltou a ser acusada de causar a morte de uma pessoa inocente. Moradores da Favela Gogó da Ema, em Guadalupe, na zona oeste do Rio, responsabilizaram integrantes da corporação pela morte do menino Alan Benelli da Costa, de dois anos e seis meses, ocorrida após uma operação policial na região.
Benelli morreu na noite de sábado, quando era operado no Hospital Getúlio Vargas, em Brás de Pina, na zona norte, após ser atingido na cabeça por um tiro de fuzil. Segundo os moradores, o tiro que matou Alan foi disparado por um sargento da PM identificado apenas como Aduba, durante uma operação do 14º Batalhão da Polícia Militar (Bangu) na favela, na noite de sábado. O menino foi atingido quando estava no colo da mãe, Nelci da Silva Benelli.
Moradores informaram que os policiais já entraram na favela atirando, mas o disparo que atingiu o garoto foi feito quando a tropa já deixava o local. Revoltados, cerca de 300 moradores atearam fogo a paus e pneus na Avenida Camboatá, próximo da favela, na noite de sábado. O trânsito foi interrompido. Uma árvore chegou a ser derrubada, para impedir a passagem de veículos. O protesto, que começou às 19 horas, foi contido pelos policiais do 14º BPM e por bombeiros, que conseguiram controlar a situação por volta das 22h30.


