São Paulo, 13 (AE) - Uma bala perdida matou na noite de ontem a estudante Jeniffer da Silva Mendes, de 15 anos, que estava sobre a laje de sua casa, na Rua Santo Dias, 145, no Jardim Andaraí, Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo. A garota foi vítima de uma troca de tiros entre policiais militares e traficantes que dominam a venda de crack, maconha e cocaína na Favela Funerária. Atingida na axila, caiu e foi levada pela mãe, Érica Maria da Silva Mendes, para o interior da residência e, em seguida, para o Pronto-Socorro Andaraí, onde morreu.
O soldado Marco Antônio da Silva Paulino, de 24 anos, do 2.º Batalhão da Polícia Militar, que participou do tiroteio, foi baleado no pé e joelho esquerdos. Está internado no Hospital da Polícia Militar, mas seu estado não é grave. A Polícia Civil apura se a bala que matou Jeniffer foi disparada pelos traficantes ou Pms.
Tiroteio - Os soldados Gilvan de Souza e Paulino estavam em patrulha com o carro 204 quando foram chamados por moradores da Favela Funerária para verificar a troca de tiros entre traficantes. Segundo Paulino, quando se aproximavam do local indicado, na Rua General Carlos Lobo Botelho, altura do prédio 100, foram recebidos a tiros. Ele e seu colega revidaram. "Depois que fui baleado fiquei atrás do carro", contou Paulino.
A mãe de Jeniffer declarou que sua filha estudava na 5.ª série da Escola Estadual Horácio Lafer, em Vila Maria, era excelente aluna e pretendia cursar a escola para modelos. Temendo que chovesse durante a noite, Érica pediu para a filha tirar a roupa do varal. A garota tinha acabado de sair de casa quando começaram os tiros. "Fiquei preocupada porque quando começam os tiros aqui na favela todo mundo se joga logo no chão e a menina estava em cima da laje".
Jeniffer começou a gritar e Érica saiu em socorro da filha, que perdeu muito sangue. "Quando chegou no pronto-socorro minha menina já estava morta", disse a mulher. Apesar do medo em falar dos ladrões e traficantes que fazem ameaças a homens, mulheres e crianças, os moradores da Favela Funerária apontam o traficantes Edjan Bezerra Campos como o "dono" dos pontos-de- venda de drogas na área. Campos enfrenta a concorrência de outro grupo que pretende se instalar na favela. Nessa disputa são registrados tiroteios quase todos os dias e algumas pessoas têm sido feridas.
O Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) vem há algum tempo tentando prender Campos, que herdou os pontos para a venda de drogas de um traficante morto pela polícia no ano passado. Justiceiros - A Favela Funerária ficou conhecida há alguns anos pelo domínio dos traficantes e depois dos "justiceiros". Muitos vendedores de drogas acabaram morrendo em tiroteio com policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Outros foram executados pelo grupo do "justiceiro" Rivadávia Correa, o Rivinha, atualmente cumprindo condenação na Penitenciária do Estado. Acusado de ter assassinado mais de 50 ladrões e traficantes, Rivinha está preso há alguns anos e faz parte de um grupo de teatro que encenou peças na prisão e também nos teatros da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e Sérgio Cardoso.

mockup