Rio- Uma estudante de 21 anos e um suposto traficante morreram em dois confrontos, na manhã de ontem, entre policiais e criminosos no Morro da Providência, centro do Rio. No primeiro tiroteio, às 6 horas, Denilza Maria da Silva Nascimento foi atingida no peito por uma bala perdida, enquanto dormia em seu quarto. Traficantes lançaram granadas e bombas de fabricação caseira contra a polícia.
Mais tarde, Pablo Pierre Mendes, de 29 anos, foi baleado. A polícia informou que encontrou com ele um fuzil e uma granada. Mendes é apontado como gerente do tráfico na favela. Três homens, acusados de integrar uma quadrilha envolvida em assaltos e sequestros foram presos e outros nove detidos para averiguação.
O clima de tensão no Morro da Providência durou o dia todo.
Por volta das 5h30, cerca de 50 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Divisão Anti-Sequestro (DAS) fizeram operação na favela para cumprir 10 mandados de prisão contra uma quadrilha acusada de pelo menos quatro sequestros relâmpago desde 2004 - entre eles o da irmã do lutador de vale-tudo Vitor Belfort, Priscila Belfort, desaparecida há dois anos.
Para os moradores, o tiro que matou a estudante partiu dos policiais. Vários disparos atingiram, além do televisor, a parede e o portão da residência de Denilza. ''Eles já entraram atirando. O primeiro procedimento é disparar e depois ver em quem acertou'', disse um morador, que pediu anonimato. O delegado da DAS, Alexandre Neto, responsável pela operação, negou.
Sentada no sofá da casa e de cabeça baixa, a mãe da estudante, Maria do Carmo, de 43 anos, não se conformava. Uma poça de sangue marcava o local da tragédia. Maria chorou quando foi buscar a foto da filha para mostrar à imprensa. Retornou ao sofá e permaneceu quieta. Só quebrou o silêncio ao ouvir o padrasto de Denilza, Carlos Roberto da Silva, de 42 anos, dizer que a estudante ''não saía muito porque não tinha muitos amigos''. ''Não é bem assim. Ela tinha vários amigos, mas gostava de ficar em casa com a gente.''

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