Baixo salário é maior problema da educação pública, aponta pesquisa
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segunda-feira, 04 de outubro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 05 (AE) - Os baixos salários pagos aos professores são considerados o maior problema da educação pública no Brasil. De acordo com pesquisa do Ibope, feita em todo o País, 68% dos entrevistados apontaram a remuneração como o aspecto mais grave do ensino. As informações foram divulgadas hoje, no lançamento da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, evento coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) e pela organização não-governamental Ação Educativa, entre outras entidades civis. "Nosso objetivo é lutar pela qualidade do ensino público", disse uma das organizadoras, Ana Toni.
A pesquisa foi feita entre os dias 16 e 20 de setembro a pedido da Ação Educativa. Foram ouvidas duas mil pessoas. O Ibope perguntou aos entrevistados quais seriam os três principais problemas da educação no Brasil entre sete relacionados na pesquisa. Depois dos baixos salários, a população considera a falta de material didático (42%) e a ausência de escolas perto das casas dos alunos (38%) os maiores problemas.
De acordo com a pesquisa, para que o Brasil tenha uma boa educação pública o governo deveria ajudar os alunos mais pobres e a suas famílias (78%), aumentar o salário dos professores (58%) e abrir vagas para atender a todos (45%).
Greve - Os professores estaduais e municipais do Rio encerram nesta quarta-feira greve de 48h por melhores salários - o piso na rede estadual, somados os abonos, é de R$ 415, enquanto na municipal é de R$ 350. Eles fizeram manifestação na Câmara dos Vereadores e no Palácio Guanabara, sede do governo do Estado. De acordo com os organizadores do protesto, 70% das escolas não funcionaram, deixando mais de 1 milhão de crianças sem aula.
A Secretaria municipal de Educação, no entanto, garantiu que a paralisação não afetou nem 1% de suas 1.029 escolas. Já a Secretaria estadual não soube informar quantas escolas pararam. Quanto às reivindicações, a prefeitura manteve o compromisso de aumentar o piso para R$ 500, incorporando as gratificações até o fim do governo. O governador Anthony Garotinho se comprometeu a discutir as reivindicações em reunião na próxima sexta-feira com os quinze coordenadores regionais de Educação.
Dois mil professores do Rio seguem amanhã (06) para Brasília, onde participam da Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. Os manifestantes vão apresentar, no Congresso Nacional, a pesquisa Retrato da Escola, um estudo feito pelo CNTE entre pais, alunos, professores e demais funcionários de cinco mil escolas em todo o País. Os resultados preliminares dessa pesquisa, antecipados hoje, são similares aos do Ibope: 68% acham que o maior problema do ensino é o baixo salário.


