Bacia do Paranapanema ocupa uma área de 106,5 quilômetros quadrados numa região que abrange 247 municípios, 115 localizados em São Paulo e 132 no Paraná
Bacia do Paranapanema ocupa uma área de 106,5 quilômetros quadrados numa região que abrange 247 municípios, 115 localizados em São Paulo e 132 no Paraná | Foto: Shuttestock

A baixa incidência de chuvas no último verão provocou o esvaziamento dos reservatórios localizados na Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema, que separa o Paraná de São Paulo. Para tratar do tema, o CBH Paranapanema (Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema) reuniu os prefeitos de municípios dos dois Estados com as entidades responsáveis pelo gerenciamento do setor em uma reunião, nesta quinta-feira (23).

O encontrou serviu para discutir medidas de proteção e explicar o funcionamento da gestão dos reservatórios. A principal apresentação foi feita pelo superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA (Agência Nacional de Águas), o geólogo Joaquim Gondim. Ele explicou que desde fevereiro um comitê de crise foi instalado para propor medidas que preservem o volume de água. A principal é a redução na vazão de duas usinas, Jurumirim e Chavantes. Ambas em território paulista. “A crise que o reservatório da Cantareira, em São Paulo, nos últimos anos permitiu tirar conclusões e um modelo de gestão. A ideia é discutir uma forma de manter a bacia em segurança para todos”, defendeu Gondim.

A Bacia do Paranapanema ocupa uma área de 106,5 quilômetros quadrados numa região que abrange 247 municípios – 115 localizados em São Paulo e 132 no Paraná – e uma população de 4.282.202 habitantes. A região tem um importante potencial hidroelétrico aproveitado por meio de 13 usinas hidrelétricas, 18 pequenas centrais hidrelétricas e sete centrais geradoras hidrelétricas. Além disso, as represas fazem parte do cotidiano das populações como um atrativo de lazer e turismo.

“Estamos muito próximos de conseguir chegar a um modelo de gestão da bacia. Apesar de não passarmos uma situação gravíssima, é importante que os prefeitos venham participar para compreender o funcionamento e passar suas experiências”, avaliou Everton Souza, presidente do CBH Paranapanema. O órgão é um colegiado, consultivo e deliberativo, no qual várias entidades participam como membros, representando a sociedade, que participa da gestão dos recursos hídricos da bacia hidrográfica.


Na última reunião da Sala de Situação, em 26 de abril, a ANA apresentou uma previsão de chuvas para os próximos meses na região onde os reservatórios estão, o que aumenta a preocupação quanto à recuperação deles. Por isso, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), que faz a gestão de toda a geração de energia no País, sugeriu que a vazão de defluência se mantenha em 100 metros cúbicos por segundo em Jurumirim e seja novamente diminuída, a partir de 1º junho, para 60. A medida já foi autorizada pelos órgãos competentes.

A medida não só será capaz de preservar o volume, como permitirá que comece um processo de recuperação do volume. Apesar da redução, não há nenhum tipo preocupação quanto à diminuição de produção de energia. O sistema nacional é totalmente interligado, podendo ser distribuído por todo o País. No entanto, normalmente se faz necessária a utilização das usinas termoelétricas como rede auxiliar, o que acaba encarecendo a conta de luz para o consumidor final.

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