Santa Helena – A estiagem severa deste ano tem causado transtornos e prejuízos aos municípios banhados pelas águas de reservatórios de hidrelétricas no Paraná. Com o nível baixo das represas, o turismo e a pesca ficam comprometidos. No Oeste, as 16 cidades que integram o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu sofrem com o problema. A seca provocou redução de até 70% no número de turistas, caso de Porto Mendes, distrito de Marechal Cândido Rondon.
De acordo com o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Guido Herpich, as áreas de camping ficaram praticamente vazias neste verão. "A estiagem afetou muito o turismo local. Sem condições de banho, os turistas não aparecem, o que significa menos dinheiro deixado na cidade", analisou. Eventos tiveram que ser cancelados ou adiados. Para evitar que o problema se repita no próximo verão, a prefeitura estuda construir prainhas semelhantes às de Santa Helena e São Miguel do Iguaçu. "Não podemos deixar que os visitantes se decepcionem e não voltem mais. Então vamos buscar uma alternativa viável", garantiu. O investimento anual no balneário de Porto Mendes é de R$ 700 mil.
Em Entre Rios do Oeste, a prefeitura aproveitou o baixo nível da represa para tocar obras na orla. Segundo o secretário de Indústria, Comércio e Turismo, Inácio Schaefer, o nível do lago baixou cerca de quatro metros. "É uma situação difícil, porque vem se repetindo há anos. Com pouca água, a orla fica barrenta e afasta os turistas", explicou. A cidade recebe em média 20 mil turistas por temporada.
Por outro lado, quem se preveniu conseguiu segurar os turistas. Em Santa Helena, balneário de 20 mil habitantes que costuma receber entre 100 mil e 120 mil visitantes por temporada, os prejuízos foram amenizados graças à Praia Nova, braço do lago com mil metros de orla controlado por diques de contenção. Mesmo em épocas de seca, a água é represada para o lazer dos veranistas. A diretora de Turismo, Roseli de Lima, comenta que, se não fosse a estrutura, fatalmente a cidade enfrentaria uma debandada de turistas. "Sentimos que a procura diminuiu um pouco, porque as outras áreas ficaram impróprias para os banhistas", admitiu. O mesmo sistema de diques e barragens foi adotado em São Miguel do Iguaçu. Por R$ 5, o banhista tem acesso à área da prainha com infraestrutura básica.
O reservatório da Itaipu, último do Rio Paraná, com 1.350 km² de área inundada, opera com lâmina d’água a 219 metros acima do nível do mar. Atualmente, a régua marca 216,15 metros, apenas 1,15 metro acima do menor nível já registrado. De acordo com a Itaipu Binacional, apesar da falta de chuvas, a hidrelétrica opera dentro das condições normais, na cota entre 215 e 220 metros. A assessoria explica que o nível caiu porque choveu abaixo das previsões na Bacia do Paraná. Segundo a empresa, não há riscos de desabastecimento.

Pesca
Água baixa também é sinônimo de prejuízo para os pescadores. Lírio Hoffmann, presidente da Colônia de Pescadores Nossa Senhora dos Navegantes, sediada em Santa Helena, reclama das condições de trabalho. Segundo ele, colocar e retirar o barco na água todo dia não é uma das tarefas das mais fáceis. "Não tem onde acorrentar o barco nem como deixá-lo na água, porque certeza que roubam. É tudo mais complicado", lamentou. Os pescadores esperam o retorno rápido da chuva para elevar o nível do lago, pois no dia 28 deste mês termina o período da Piracema.

Meteorologia
De acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, uma frente fria avança em direção ao Paraná. As primeiras chuvas devem atingir a Região Oeste a partir de amanhã, com possibilidade de temporais no sábado e domingo. A semana seguinte também deve seguir chuvosa. "Serão chuvas com volume expressivo, só não há como contar com elas para resolver tudo o que não choveu anteriormente", apontou a meteorologista Sheila Paz. As temperaturas no fim de semana devem variar de 22º C a 35º C.

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