Baixo investimento e concentração de renda agravam situação da saúde
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 25 (AE) - A situação da saúde pública no Brasil é grave por causa do baixo investimento estatal (municipal, estadual e federal) e da grande concentração de renda do País. Mas há esforços em todos os níveis e alguns avanços ocorreram nas últimas décadas. Estas são algumas das conclusões do seminário sobre saúde pública feito hoje pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), dentro do Fórum de Gestão Pública Eficiente.
Falaram no Fórum três administradores com destacada atuação no setor, o secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Gilson Cantarino, o ex-ministro da Saúde Adib Janete e o governador do Ceará, Tasso Jereissati, que conseguiu reduzir pela metade a mortalidade infantil em sua gestão.
Cantarino abriu o seminário falando das dificuldades de um governo que herdou uma dívida de R$ 88 milhões com fornecedores e lembrou que o Estado do Rio é uma região de desigualdades imensas.
Adib Jatene criticou o governo federal que, segundo ele diminuiu, em valores reais, seu investimento na área de saúde pública. "Em 1995 foram gastos R$ 15 bilhões do orçamento em saúde, contra R$ 18 milhões em 1998", disse. "Se levarmos em conta que a inflação neste período foi de 43%, houve uma redução real". Além da falta de recursos, o cardiologista apontou como problema a forte concentração de renda. Como avanço citou especialmente a descentralização das decisões.
Jereissati afirmou que a própria estrutura de saúde pública no Brasil é centralizadora, favorecendo a região Centro-Sul em detrimento do Norte e Nordeste. Ele lembrou também que a qualidade do atendimento só vai melhorar quando a mentalidade dos prestadores de serviço mudar.


