Santos, SP, 29 (AE) - Com taxas altíssimas de urbanização e crescimento demográfico, a Baixada Santista (SP) pode enfrentar sérios problemas de abastecimento de água em pouco tempo. O alerta foi feito hoje pelo coordenador dos debates do Plano Estadual de Recursos Hídricos, Waldemar Casadei
no 1.º Seminário da Gestão da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, na sede da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos. Ele destacou a importância de as prefeituras se organizarem jurídica e institucionalmente para atender às diretrizes do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista.
Mantido o ritmo atual de crescimento demográfico, de 1 91% por ano, a população da Baixada, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pode se aproximar de 1,6 milhão de habitantes até 2010. Na avaliação de Casadei, os problemas do abastecimento na região vão da captação à perda de água, cujo índice está em torno de 47%. Qualidade - "A situação da bacia é crítica, tanto em termos de quantidade como de qualidade das águas", afirmou. "A continuar da forma em que se encontra, em muito pouco tempo enfrentaremos a falta de água e, para complicar, água da pior qualidade possível". Casadei destacou a importância do encontro, já que pela primeira vez a sociedade civil se reúne para discutir a situação dos recursos hídricos da Baixada.
"Não se pode falar em turismo e qualidade de vida sem antes defender ações que promovam o uso adequado do potencial hídrico, na balneabilidade das praias, na preservação dos mananciais e no controle da água consumida", disse o prefeito de São Vicente, Márcio França (PSB), que preside o Comitê da Bacia Hidrográfica. Perfil - Um raio X das condições atuais da região, integrada por nove municípios da faixa de litoral que vai de Bertioga a Peruíbe, foi apresentado hoje no seminário. Abastecimento, balneabilidade das praias e disposição final dos resíduos sólidos entraram em debate.
No Plano Estadual de Recursos Hídricos, a Baixada é classificada como região industrial, destacando-se pelo uso intenso da água e elevado índice de indústrias poluidoras, tanto da água quanto do ar, o que tem provocado sério impacto ambiental. Turismo - A região também tem vocação direcionada para o turismo e o lazer. Em virtude disso, a população flutuante da Baixada equivale a 60% do seu número de habitantes. "Daí a necessidade de os governantes municipais mostrarem-se atuantes, não pensando apenas na conveniência imediata do aumento na arrecadação de impostos", defendeu Casadei. "Eles podem mudar o rumo dos acontecimentos estabelecendo um plano de uso e ocupação do solo que leve em conta a preservação ambiental".

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