São Paulo, 8 (AE) - O Lloyds Bank em sua análise semanal da situação econômica do País, diz no boletim divulgado hoje, que mesmo diante dos riscos externos, explicitados nas últimas semanas, como o aumento dos juros nos EUA, acredita que a queda das taxas de juros no País continuará a ocorrer, mas em ritmo menor.
O estudo diz que o governo pode usar o "viés de baixa" ainda na sua reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central programada para o dia 23. Cita como pontos bons da economia nacional, a deflação de maio e os resultados fiscais positivos do Governo Central.
Inativos - "Ainda sob o trauma causado pelo episódio das fitas do BNDES, o mercado passa agora a preocupar-se com uma nova inquietação: o desfecho da questão sobre a contribuição dos funcionários públicos inativos", ressalta o Lloyds. "Dadas as inúmeras liminares concedidas, em diferentes tribunais federais, contra a contribuição dos inativos, o governo tentou junto ao Supremo Tribunal a reconsideração do parecer a favor dos inativos". Segundo o estudo,"o pedido foi negado e agora resta ao governo aguardar a decisão final no plenário do Supremo". Caso o parecer seja favorável ao governo (mantendo a contribuição de 25%), a Advocacia da União poderá entrar com um pedido de constitucionalidade da matéria que facilitará a derrubada de todas as liminares já concedidas. Porém, se o governo for derrotado, caberá à equipe econômica buscar novas formas de financiamento para compensar a perda de receitas que a medida proporcionaria.
Preços - O estudo semanal ressaltou que o IPC-Fipe de maio registrou deflação de 0,37%, acumulando alta de 2,60% no ano e -0,23% nos últimos 12 meses. Além da sazonalidade de queda do vestuário, os produtos agrícolas também contribuíram significativamente para esse desempenho. Os produtos in natura fecharam com queda de 4,98% ante os 0,31% de abril. "Com isso, o mês de maio caracterizou-se por uma expressiva queda nos preços, com deflações tanto no atacado quanto no varejo. A boa safra agrícola, as baixas cotações das commodities e a relativa estabilidade do câmbio foram os princípais motivos para tal desempenho." Afirma ainda que para os próximos dois meses (junho/julho), o principal fator de pressão virá dos reajustes de algumas tarifas, tais como telefone, energia elétrica e combustíveis. Destas, apenas a de telefone já foi confirmada, devendo se dar a partir de 15 de junho. O impacto no IPC-Fipe ficará em torno de 0,12 pontos percentuais, divididos entre junho e julho, e no IGP-M em 0,05 pp.
Câmbio - No caso da política cambial, a análise do Lloyds diz que o BC ofertou dólares com o intuito de diminuir a volatilidade do mercado e, de certa forma, conseguiu limitar esse movimento. "É importante ressaltar que ao longo do mês de junho haverá vencimentos próximos a US$ 2,1 bilhões (já incluindo as opções de put & call) que devem gerar alguma pressão no mercado cambial".
"A balança comercial em maio, sobretudo na segunda quinzena, vem tendo uma performance razoável, acumulando até o dia 28 um superávit de US$ 237 milhões (muito próximo às expectativas feitas no final do mês passado), com as exportações recuando 9% frente a maio de 98 (média diária), enquanto que as importações continuam caindo 20%. Este poderá ser o menor recuo mensal nas exportações desde dezembro/98 e o melhor resultado da balança desde outubro/95".

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