Embora sejam formados por oxalato e fosfato de cálcio, os cálculos não derivam, geralmente, da alimentação. Por isto, dizem os especialistas, não há necessidade de evitar alimentos como tomate, beringela e leite. Muitas mulheres podem até se expor ao risco de osteoporose se diminuírem o consumo de alimentos com cálcio no dia a dia.
‘‘Existem fatores genéticos, alimentares, ambientais, e mesmo defeitos do próprio rim, que manipula mal alguns cristais’’, ressalta o nefrologista Anuar Matni, de Londrina. Ele explica que 70% dos cálculos são eliminados espontaneamente, mas se eles ‘‘enroscam’’ no trajeto entre o rim e a bexiga causam dor intensa, e podem infeccionar.
‘‘Existem algumas recomendações para evitar uma nova crise de cólica renal’’, avisa o urologista Luis Seabra Rios, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia Secção São Paulo. ‘‘Evitar proteína animal e sal em excesso e beber muita água são as principais’’, diz. ‘‘As pessoas em geral comem 10 gramas de sal por dia. Nosso organismo não tem necessidade. O ideal é até 5 gramas’’, alerta Matni. Ele lembra que o excesso na ingestão de sal também está relacionado à hipertensão arterial, fator de risco para doenças cardiovasculares e até para comprometimentos mais sérios no rim, como a doença renal crônica.
Segundo o urologista Paulo Rodrigues, de São Paulo, a hidratação inadequada promove a precipitação dos cristais no interior dos rins. ‘‘A urina fica concentrada, aproximando os cristais suspensos no líquido e levando à sua precipitação’’.
Alguns distúrbios metabólicos também levam à formação dos cálculos, mas são minoria dos casos (5%). ‘‘Estes casos podem se desenvolver desde os primeiros anos de vida e, para eles, a limitação de certos alimentos diminui a formação de cálculos’’, diz Rodrigues. Já os formados pela ingestão insuficiente de líquidos costumam aparecer mais freqüentemente na terceira década de vida, depois dos 20 anos.
Quem já teve o problema deve aumentar os cuidados com o estilo de vida, já que até 50% deles voltam a ter cálculos renais. ‘‘Isto porque não modificam seus hábitos, ou porque os tratamentos não conseguem ‘limpar’ efetivamente todo o cálculo, deixando resíduos que propiciarão novas precipitações e formação de cálculos’’, diz Rodrigues. (C.P. com Agência Estado)

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