Baixa do dólar depende da sabatina de Fraga, diz ACM
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Cláudia Carneiro e José Ramos 
Brasília, 23 (AE) - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou hoje que a baixa do dólar - que chegou a R$2,07, cotação máxima de fevereiro, no início da tarde de hoje - está dependendo da sabatina do presidente indicado para o Banco Central, Armínio Fraga, pelos senadores.
Por mais de uma vez, ACM fez apelo aos líderes dos partidos no Senado para indicarem os nomes dos senadores que vão compor a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa, responsável pela arguição dos candidatos à direção do BC. Os líderes garantiram que a sabatina de Fraga e mais quatro diretores do BC acontecerá até a sexta-feira.
A equipe econômica do governo queria a sabatina de Fraga antes de sexta-feira, último dia útil do mês, quando o mercado financeiro pode se tornar altamente especulativo na ausência de autoridade monetária para indicar o ponto de equilíbrio das cotações do dólar em relação ao real, para o próximo mês.
Ao cobrar pressa dos líderes na indicação dos nomes para a CAE, o senador ACM disse que a sabatina vai tranquilizar o mercado. "Isso (a baixa do dólar) depende da arguição da CAE, que vai tranquilizar o mercado", observou. "Por isso o governo tem interesse em apressar a sabatina, e a oposição também."
Magalhães assegurou que os quatro novos diretores do BC serão sabatinados junto com Fraga, "nem que seja preciso distribuir quentinha para os senadores."
A dificuldade para a composição da Comissão de Assuntos Econômicos desta nova Legislatura foi atribuída principalmente ao PMDB. O partido - que ficará com o comando da comissão - travou internamente uma disputa acirrada pelas nove vagas a que tem direito na lista de integrantes.
Mesmo sem a relação dos nomes, o líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), anunciou à tarde que o presidente da comissão será o senador Fernando Bezerra (PMDB-RN).
Barbalho também faz questão da relatoria do processo de indicação de Fraga. "Não abro mão da relatoria", sustentou ele
que garantiu o voto favorável do PMDB à escolha de Fraga. "Não sou simpático, nem antipático a ele, porque não o conheço, mas o PMDB não vai colaborar para aumentar a instabilidade no País, porque a rejeição de seu nome seria um verdadeiro desastre neste momento."
Pelo mesmo motivo, o líder do PMDB defendeu a sabatina nesta semana. "É bom que este homem esteja lá para enfrentar o mercado", disse ele.
CAE - O bloco da oposição foi o primeiro a indicar os nomes dos componentes da CAE e das outras comissões técnicas do Senado, e de imediato avisou que votará contra a indicação de Fraga. Os oposicionistas preparam uma arguição embaraçosa para o novo presidente do BC.
Na nova lista apresentada à Mesa Diretora estão aqueles que tradicionalmente patrocinam reuniões polêmicas e incômodas para o governo, como os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), José Eduardo Dutra (PT-SE), Jefferson Peres (PDT-AM), e agora o senador Saturnino Braga (PSB-RJ).
Do lado dos aliados ao governo, o PFL foi o primeiro a apresentar a bancada de sete pefelistas que vai integrar a CAE. O líder do PMDB passou a tarde tentando um acordo com seus liderados para fazer a lista.
Dois terços da bancada de 27 senadores pleiteava uma vaga na mais cobiçada comissão do Senado, responsável pela aprovação de pedidos de empréstimos financeiros, além da escolha de integrantes do BC. O único peemedebista que não tinha dúvida de sua participação na sabatina de Fraga era Roberto Requião (PMDB-PR), o senador que consegue provocar mais barulhos nas reuniões da CAE.
"Vou participar da sabatina de qualquer maneira, porque todos os senadores podem atuar em qualquer comissão", avisou Requião. "Mas eu preferia sabatinar o George Soros (o megainvestidor ex-chefe de Fraga), porque tenho horror a sabatinar subordinados", criticou ele.
O senador Roberto Freire (PPS-PE) ainda tentou uma estratégia para impedir a sabatina de Fraga, apresentando ao presidente do Senado um requerimento para que fosse impugnada a indicação dele, porque o requisito da "ilibada reputação" não fora atendido. "A Mesa entendeu que trata-se de um juízo de valor de sua parte", respondeu ACM.


