Marcos Zanatta
A Federação das Associações de Bairros de Maringá (Feabam) está incentivando as lideranças dos bairros a identificarem as necessidades e formularem projetos, que serão entregues ao governador Jaime Lerner (PFL). Com apoio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do município, os presidentes das associações estão fazendo os projetos.
Ainda não existe uma data definida para o encontro entre os dirigentes das entidades e o governador, que prometeu receber uma comissão e estudar a viabilidade dos projetos. Maringá tem 227 bairros, mas apenas 80 participam têm associações.
O presidente da Feabam, Roberto Wagner de Castro, diz que as associações pretendem apresentar o máximo de projetos possíveis. ‘‘Sabemos que o governo não vai aprovar tudo, mas vamos tentar’’, afirma. Ele explica que a Feabam está entrando em uma ‘‘fase de ação’’, que vai buscar apoio para melhoria dos bairros.
‘‘Não queremos passar pela autoridade de vereadores ou de qualquer outro político, mas somar em favor da comunidade que atendemos’’, avisa. ‘‘Nós sabemos melhor que ninguém os problemas dos bairros’’. Ele garante ainda que os presidentes realizam um trabalho ‘‘sem siglas partidárias ou fins políticos’’, apesar de alguns serem filiados a partidos.
Boa parte dos bairros pretende cobrar a construção de centros comunitários e áreas de lazer. Uma das propostas, segundo Castro, é de aproveitar os fundos de vales ou áreas públicas que continuam desocupadas. ‘‘São obras de baixo custo e que atende um grande número de moradores’’, explica. Ele diz que hoje a maior parte dos bairros de Maringá não tem nenhuma área de lazer, o que acaba abrindo espaço para a marginalidade dos moradores mais jovens.
Um exemplo é o bairro de Santa Felicidade, um dos mais carentes de Maringá. Os moradores quebravam o alambrado e muitas vezes vidros das salas de aulas para usar a quadra de esporte. Quando a direção da escola liberou o local, acabaram as invasões. Hoje a comunidade ajuda a preservar o prédio e a cancha esportiva.
Uma das propostas das associações é que o governo do Estado repasse às entidades ou monta as estruturas em cimento armado, para a construção de barracões. A entidade e os moradores ficam responsáveis por concluir a obra. ‘‘Seria uma forma de envolver a comunidade e fazer os moradores valorizar o local’’, diz Castro.
O mais importante para as entidades representadas pela Feabam, dizem os dirigentes, é que o governo estadual abriu espaço para um diálogo. ‘‘Mas não podemos desperdiçar a oportunidade e chegar lá com propostas verbais’’, afirma o presidente da Feabam. Desde que Lerner aceitou uma audiência com os representantes dos bairros, em maio passado, o pessoal está atrás de projetos.
‘‘Queremos chegar lá com os projetos prontos, para não perder nosso tempo nem do governador’’, afirma Castro. A federação pretende ainda cobrar a conclusão de alguns projetos que garantam a geração de empregos, como o dos barracões industriais, que estão com as obras paradas em três bairros de Maringá.

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