Obras no Morro da ConceiÔão comeÔam este ano


Por Roberta Jansen




Rio, 28 (AE) - ComeÔam no segundo semestre deste ano obras
de restauraÔão num dos mais antigos bairros do Rio: o Morro da
ConceiÔão, no centro. O local comeÔou a ser ocupado no início do
sÚculo 16 e tem grande importÍncia histÃrica por ser um dos poucos
que ainda preservam a arquitetura do período colonial português e
por possuir diversas construÔÊes tombadas pelo Instituto do
Patrimônio HistÃrico Nacional (Iphan).
A reabilitaÔão do Morro da ConceiÔão Ú o projeto-piloto do
Programa de RecuperaÔão Orientada (ProRio), da prefeitura, que tem
entre os objetivos principais a requalificaÔão de áreas ou setores
histÃricos da cidade em processo de degradaÔão. A idÚia não Ú apenas
restaurar construÔÊes ou monumentos, mas tambÚm dar condiÔÊes de
sustentabilidade econômica aos locais e os adaptar às exigências da
vida moderna sem os descaracterizar. O projeto conta com a
colaboraÔão tÚcnica do governo francês, que tem experiência em
intervenÔÊes histÃricas em locais residenciais - perfil do bairro
desde o início do sÚculo.
O primeiro passo para a reabilitaÔão do morro Ú a
restauraÔão dos sítios histÃricos. As obras comeÔam no Jardim do
Valongo, um parque projetado no início do sÚculo, durante a
administraÔão do prefeito Pereira Passos. "Já fizemos a limpeza do
local, que se achava abandonado e cheio de mato, e estamos
dedicando-nos agora ao trabalho de prospecÔão arqueolÃgica para
resgatar seu desenho original", explicou a gerente do projeto,
Márcia Sigaud.
Na área do Jardim do Valongo, funcionou, atÚ a metade do
sÚculo 19, a Casa de Engorda - local para onde os escravos recÚm-
chegados da àfrica eram levados. Depois das longas viagens, eles
chegavam ao País muito debilitados e eram enviados para esse local
para se recuperar e adquirir valor de mercado. Era tambÚm numa rua
do bairro, a Camerino, que os escravos eram negociados. Nessa mesma
rua, ficava a forca. AlÚm do jardim, outras 11 áreas públicas do
bairro serão restauradas pelo projeto.
"Por enquanto, não podemos revelar os locais porque tudo
deve ser discutido antes com a comunidade", contou Márcia. Ela
adianta apenas que serão feitas intervenÔÊes no sentido de facilitar
os acessos ao bairro, que são muito íngremes, alÚm de melhorias no
calÔamento - muito desgastado. Outra vertente da aÔão da
prefeitura Ú estimular a recuperaÔão do conjunto de casas histÃricas
da área, tuteladas pelo Iphan e pelo Departamento Geral de
Patrimônio e Cultura (DGPC) da prefeitura, mas de propriedade de
particulares. "Queremos que guardem suas características originais."
Para tal, foi firmado um convênio com a Caixa Econômica Federal
(CEF), que financiará reformas nas casas, desde que os projetos
estejam de acordo com a linha arquitetônica original e sejam
aprovados pela prefeitura. A previsão Ú de que, em dois anos,
estejam finalizadas as restauraÔÊes dos principais sítios
histÃricos. Para que o local passe a ter sustentabilidade econômica,
a prefeitura incentivará o turismo histÃrico alí. "Vamos investir
tambÚm na capacitaÔão de mão-de-obra especializada em reformas de
prÚdios histÃricos", afirmou Márcia.
A ocupaÔão do Morro da ConceiÔão comeÔou no sÚculo 17, com
a construÔão da Ermida da ConceiÔão, mais tarde transformada em
Palácio Episcopal, residência do arcebispo do Rio. Na mesma Úpoca,
foi construída a Igreja de São Francisco da Prainha. ApÃs duas
invasÊes francesas, a Coroa portuguesa mandou erguer alí no morro,
por causa da posiÔão estratÚgica, a Fortaleza da ConceiÔão. As três
edificaÔÊes são tombadas pelo Iphan.
Fora o palácio, a igreja e a fortaleza, sà havia chácaras
no local durante todo o sÚculo 18, principalmente por causa do
difícil acesso à área. A ocupaÔão definitiva do lugar sà ocorreria
ao longo do sÚculo 19, depois da chegada da família real, em 1808,
quando a cidade comeÔou a se expandir. Nessa Úpoca, surgiram alí o
porto, fundiÔÊes, serralherias, estaleiros. Por ser um local
perifÚrico, ocupado por portuários e operários, o Morro da ConceiÔão
abrigava instituiÔÊes indesejáveis, como a forca, o mercado de
escravos e a prisão eclesiástica. Com o aumento da procura de
moradias, os proprietários comeÔaram a construir nos fundos dos
terrenos.

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