Baías podem ter algas tóxicas
A causa mais provável da mortandade de peixes na baías de Guaraqueçaba e de Paranaguá (no Litoral do Paraná) é a presença de algas tóxicas, fenômeno considerado sazonal em algumas regiões do País. A suspeita levantada pelo doutor em ecossistema e ecologia, do Centro de Estudos do Mar, Mario Borletta, é reforçada pela opinião do biólogo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Tiaraju de Mesquita Fialho. O ambientalista compara a formação de algas com o fenômeno chamado de Maré Vermelha, acidente ecológico onde acontece a proliferação de algas e consequente liberação de toxinas.
Borletta destaca que somente depois dos resultados dos primeiros exames feitos nos peixes recolhidos nas baías será possível afirmar a causa das mortes. Até ontem cerca de 250 peixes mortos já tinham sido retirados do mar, mas o próprio Instituto de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) admite que a quantidade pode ser maior.
O biólogo Tiaraju Fialho lembra que sinais de algas tóxicas apareceram na mesma região no ano passado. O ambientalista alerta que a ingestão de água, peixes ou outros animais contaminados por essa alga pode ter sérias consequências para população, como diarréia, fraqueza e até parada respiratória. Por isso, esses exames devem ser feitos com urgência, alerta.
O Centro de Estudos do Mar, em Pontal do Sul (Litoral do Estado), aguarda a liberação de recursos para realizar análise de pelo menos dez peixes mortos coletados na Baía de Guaraqueçaba. Os exames vão determinar a causa da mortandade de peixes verificada desde a semana passada na região. O órgão, vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR), não tem recursos para arcar com as despesas dos exames, orçado em cerca de R$ 100,00 cada.
Além da análise da água, para detectar a causa da mortandade de peixes, é necessário examinar os animais e seus tecidos moles, como rim, fígado e pulmão. A quantidade de exames necessários ainda não foi levantada. Mas o Centro de Estudos do Mar avalia cada um em pelo menos R$ 100,00, mas o Ibama, que está vistoriando o local, já recebeu orçamento de R$ 750,00 cada análise. O Ibama tem interesse em arcar com essas despesas, mas estamos esperando receber o orçamento, adiantou o gerente do instituto em Paranaguá, Licio Domit. O orçamento total deve ser apresentado hoje.





