Baianos comemoram fábrica da Ford com acarajé e trio elétrico
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 28 (AE) - Com muito acarajé, fitinhas do Senhor do Bonfim e trio elétrico, o governo baiano comemorou, ontem, a assinatura do protocolo de intenções com a direção da Ford para instalar a primeira montadora de automóveis do Nordeste em Camaçari, região metropolitana de Salvador. A contratação do trio elétrico Armadinho, Dodô e Osmar, para animar a festa, não foi por acaso: ao inventarem o equipamento mais famoso do carnaval baiano, no início dos anos 50, Osmar Macedo e Adolfo Nascimento (o Dodô) utilizaram um Ford bigode, conhecido também como fobica, para montar a aparelhagem de som.
A solenidade foi realizada no Palácio da Aclamação, local das recepções mais requintadas do governo do Estado, contando com a participação do governador César Borges (PFL), do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), do presidente do BNDES, Pio Borges, do presidente da Ford Brasil, Ivan Fonseca e Silva, além de vários deputados e secretários do Estado.
Chamado de "lavrador da esperança" pelo governador Borges, que atribuiu a instalação da montadora ao seu esforço pessoal, ACM roubou a cena logo no início do seu discurso: "Quando o governador percebeu que não havia nenhum carro da Ford na frota do Estado, pediu o meu emprestado (um Taurus modelo 98) para vir comigo à solenidade", revelou, arrancando gargalhadas.
Magalhães sugeriu ao governo federal apoiar com financiamentos somente projetos que criem empregos como o da Ford (a previsão é de três mil novas vagas) e recusar emprestar dinheiro a empreendimentos que eliminem vagas.
O presidente da empresa, Ivan Fonseca e Silva, literalmente trocou o churrasco gaúcho pelos quitutes baianos. O acarajé foi o petisco que mais apreciou no coquetel oferecido depois da assinatura do protocolo.
"Queremos começar as obras em seis, oito semanas", contou, assinalando que a maior parte do tempo será dedicada ao treinamento da mão-de-obra na montagem dos veículos. "Essa parte é a que vai envolver mais pessoas e tempo", disse. Segundo Silva, o problema neste momento não é a parte física do projeto, mas a formalização dos contratos relativos à implantação do empreendimento. Ele espera, por exemplo, que o governo federal consiga incluir o projeto na chamada MP automotiva, que garante incentivos fiscais para montadoras que se instalarem no Nordeste. "Tivemos o apoio total do presidente Fernando Henrique Cardoso", enfatizou. O sinal verde do BNDES já foi dado pelo presidente da instituição, Pio Borges, que conseguiu o enquadramento do projeto da Ford para o financiamento do banco.
Borges confirmou que o BNDES vai poder emprestar 80 por cento do investimento previsto de US$ 1,3 bilhão, para a construção da fábrica.
O prazo de pagamento será compatível com a implantação do projeto. Ele revelou que iria conversar com Silva para pegar o nome das empresas de autopeças e fornecedores que vão se instalar nas imediações da fábrica. "O BNDES também vai apoiar o investimento dessas empresas", disse.
Indagado sobre as declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso segundo as quais o governo não subsidia mais projetos de risco, Borges disse que o banco há algum tempo não faz o que chamou "operação-hospital", socorrendo empresas perdedoras ou que estão em dificuldades. "Temos insistido que nossa tarefa é apoiar projetos vencedores como o da Ford", disse.


