Baianos alugam geradores e mantêm festas juninas
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de junho de 2001
De Salvador 
Para manter a tradição das festas juninas, pelo menos 22 prefeituras baianas abriram os cofres para alugar geradores e contratar atrações musicais. O investimento tem retorno garantido, pois gera emprego e atrai turistas, disse o prefeito de Senhor do Bonfim (374 km de Salvador), Carlos Brasileiro (PT).
De acordo com Brasileiro, o período de festas juninas no município foi responsável pela criação de 4.200 empregos diretos, entre os quais fabricantes de fogos, vendedores ambulantes, barraqueiros e pessoas que trabalham com montagem de palco. Durante os festejos, pelo menos R$ 6 milhões vão circular na cidade, disse o prefeito petista.
O secretário de Gestão e Finanças de Piritiba (314 km da capital), Eric Nilson Souza Sodré, disse que a prefeitura gastou R$ 350 mil na contratação de bandas e montagem de palcos. O valor, que corresponde a dois meses de pagamento de toda a folha municipal, não vai provocar nenhum impacto nos projetos desenvolvidos pela prefeitura, de acordo com o secretário. Pelo menos 20 mil pessoas que participarão da festa em Piritiba vão deixar R$ 3 milhões na cidade, disse Eric Sodré.
Nas últimas duas semanas, cerca de 200 casas do município foram alugadas para turistas. Como aposentada, recebo um salário mínimo por mês. Agora, vou ganhar R$ 700 em apenas uma semana, disse a professora Matilde Oliveira Sena, 63.
O empresário Enílson Moreira, diretor de A Geradora, acrescentou que a procura por geradores cresceu 300% em relação ao ano passado. Pelo menos 50 prefeituras nos procuraram, mas não temos condições de atender a toda a demanda.
Em média, cada prefeitura pagou R$ 3.500 pelo aluguel de um gerador para as festas juninas. Sem técnicos e infra-estrutura para atender à demanda, resolvemos realizar cursos em Salvador para mostrar aos funcionários das prefeituras como funciona um gerador.
Dados da Bahiatursa, órgão oficial de turismo do governo baiano, revelam que pelo menos 150 mil pessoas vão deixar Salvador para passar os festejos juninos no interior. Uma das cidades mais procuradas é Cruz das Almas, onde acontece todos os anos a tradicional guerra de espadas (canudos com pólvora). (Agência Folha)


