Baianas do acarajé travam guerra de preços em Salvador
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 2 (AE) - O sorriso largo e o bom-humor que as baianas de acarajé passam aos seus clientes em Salvador escondem uma verdadeira "briga de foice no escuro" que elas vêm travando nesses tempos de crise. Depois da guerra, no ano passado, entre as três quituteiras mais famosas da cidade, Dinha
Cira e Regina, que brigam pelo ponto no bairro do Rio Vermelho, na orla, agora a disputa se transferiu para o centro de Salvador: uma parte das dezenas de baianas com tabuleiro armado na área decidiu baixar o preço do acarajé sem camarão de R$ 1,00 para R$ 0,50.
O corte no preço do quitute mais apreciado dos baianos causou um alvoroço. Reuniões foram convocadas pela Associação das Baianas de Acarajé para discutir o assunto e hoje a presidente da entidade, Clarice Souza dos Anjos, recomendou a cobrança de, pelo menos, R$ 0,70 pelo acarajé. Ela acha que R$ 0 50 é um preço muito baixo para as despesas que as baianas têm para elaborar o quitute e foge da discussão sobre leis de mercado.
No entanto, afirma não poder fazer nada para tabelar o preço do acarajé, inclusive porque na outra ponta da polêmica está o preço cobrado pela baiana Cira, R$ 2,00, pelo acarajé com camarão.
Mesmo com a orientação do preço mínimo, muitas baianas do centro resolveram manter os R$ 0,50 e ainda estão fazendo mais promoções. Há casos como o tabuleiro do "Irmão Carlos", onde o preço pelo acarajé com camarão mais refrigerante é de R$ 1,20.
Em Salvador existem pelo menos 3 mil baianas de acarajé e, enquanto a concorrência for grande, quem ganha é o consumidor.


