Salvador, 10 (AE) - Responsável pelo sustento de pelo menos três mil "baianas" somente em Salvador, o acarajé chegou aos comerciais de televisão na Bahia. A responsável é a "baiana" Regina dos Santos Conceição, que gravou uma propaganda, em exibição na TV Bahia (Globo), para anunciar sua "invasão" em um novo ponto da cidade, o bairro de Itapuã, território da "baiana" Cira, quituteira famosa do local. No ano passado, Regina causou o maior rebuliço, ao montar o tabuleiro no Rio Vermelho, ponto de outra "baiana" tradicional
a Dinha. O caso quase foi parar na Justiça.
Desta vez, Regina se associou ao comerciante Sérgio Neder, que explora um abatedouro e uma loja de utilidades na Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã, para abrir sua filial de quitutes. Os dois preferem não revelar quanto estão gastando com a mídia televisiva. Informaram apenas que os comerciais serão exibidos diariamente até o dia 15. De acordo com o departamento comercial da TV Bahia, cada inserção de 30 segundos no horário vespertino onde normalmente o comercial da quituteira vem sendo exibido, custa entre R$ 600 a R$ 700.
O ponto de Regina fica a cerca de cinco quilômetros de distância do Largo de Itapuã, onde Cira está instalada, próximo à ladeira que dá acesso à Lagoa do Abaeté. Cira não fez qualquer comentário sobre a "invasão" do seu território, ao contrário de Dinha, quando ocorreu episódio parecido em outubro do ano passado.
Na época, Dinha alegou que a prefeitura de Salvador teria lhe dado exclusividade para comercializar acarajé no Largo de Santana, no bairro do Rio Vermelho. Ele ameaçou até entrar na Justiça para tirar Regina, que se instalou no local à convite do dono de um bar com objetivo de atrair clientes. A situação acabou contornada, mas as duas baianas não se cruzam no Rio Vermelho: entre os dois tabuleiros está a Igreja de Santana a separá-las.
Vender acarajé e quitutes baianos é um bom negócio e a concorrência é cada vez maior. Estima-se que as três baianas mais famosas da cidade, Cira, Dinha e Regina, movimentem algo em torno de R$ 40 mil por mês, cada uma. Recentemente um grupo de baianas do centro de Salvador decidiu reduzir pela metade o preço do acarajé, que passou a custar R$ 0,50, para enfrentar a concorrência. A medida provocou uma reunião da Associação das Baianas de Acarajé, que decidiu proibir novas reduções.

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