À espera das tropas federais, as ruas de Salvador foram assoladas ontem por uma onda de violência e medo. Houve arrastões, o comércio baixou as portas e o transporte público parou assim que anoiteceu. A terceira maior cidade brasileira entrou em um estado de sítio informal devido à greve dos policiais militares que completa hoje nove dias. Gritos nas ruas davam a senha para o corre-corre. Criminosos e suspeitos foram atacados por moradores.
O clima, em Salvador, começou a ficar mais tenso durante a madrugada, quando pelo menos dez arrastões foram realizados em estabelecimentos comerciais da periferia. Pela manhã, a situação piorou e praticamente todos os estabelecimentos comerciais da capital baiana fecharam.
Não há estatística sobre o número de crimes pelo fato de que a Polícia Civil, que registra as ocorrências, também estar em greve.
Escolas e universidades suspenderam as aulas; empresas de ônibus reduziram a sua frota em pelo menos 40%; agências bancárias não funcionaram ou encerraram o expediente antes das 15 horas; e os proprietários de táxis preferiram deixar os veículos nas garagens.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Coletivos de Salvador, J. Carlos, recomendou que cobradores e motoristas suspendessem as atividades a partir das 18 horas. Circulam na cidade 2.200 ônibus, que transportam cerca de 1,6 milhão diariamente.
Durante todo o dia, as principais emissoras de rádio da capital baiana colocaram no ar avisos conclamando a população para não sair às ruas. Deu certo: o centro ficou praticamente deserto à tarde.
Foram registrados assaltos em farmácias, lojas, padarias e casas lotéricas. As ruas estreitas do centro foram palco também de correrias, alimentadas por boatos de arrastão. ‘‘Basta uma pessoa andar mais depressa para a gente sair correndo’’, disse a estudante universitária Fernanda Lima, 22.
Às 14 horas, o Iguatemi -maior shopping da Bahia- foi invadido por cerca de 50 pessoas, que assaltaram clientes e lojistas. Houve pânico. A administração do shopping resolveu fechar o estabelecimento. A mesma decisão foi tomada por outros cinco grandes shoppings da cidade.

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