Bahia Sul registra bom resultado e acelera fusão com a Cenibra
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 02 (AE) - A Bahia Sul teve equilíbrio financeiro no ano passado, alcançou uma situação mais próxima à da Cenibra, e isso é mais um empurrão à fusão das duas empresas de celulose, coligadas da Companhia Vale do Rio Doce. A informação é do presidente do conselho de administração da Vale, o empresário Benjamin Steinbruch. As empresas de papel e celulose aguardam a definição da união entre Bahia Sul e Cenibra para disparar a reestruturação do setor.
"A Bahia Sul tinha dificuldade de alavancagem, mas se recuperou em 1999", afirmou Steinbruch. No anúncio do investimento para este ano, o presidente da Vale, Jório Dauster, já havia afirmado que a melhoria no desempenho das coligadas de papel e celulose dispensava a realização de aportes significativos. Hoje Dauster disse que, resolvida a fusão, pode haver uma sociedade com a Aracruz - que já manifestou interesse em aquisições - ou outra empresa, inclusive estrangeira.
A Vale tem sócios diferentes nas duas empresas, e este é um dos problemas. Na Cenibra, os sócios são os japoneses da JBP, que estão emperrando as negociações. No mercado, há a aposta de que os japoneses têm medo de perder poder em uma diluição da participação na empresa resultante. Com os preços internacionais da celulose em ascensão, poderia agora interessar à JPB ter direito a uma cota maior. Um executivo ligado aos japoneses informou que um membro da diretoria da JPB está vindo ao Brasil para conversar com a Vale.
O sócio da Vale na Bahia Sul é a Suzano. O diretor-financeiro e de relações com o mercado da Suzano, Adhemar Magon, disse que as conversas entre as duas empresas estão paradas. "É preciso resolver o caso da Cenibra primeiro"
explicou.
A Vale procurou algumas vezes o BNDES para pedir um sinal de que o banco iria estimular a fusão entre Bahia Sul e Cenibra. Mas a posição do BNDES, que é acionista e credor de várias empresas do setor, é aguardar propostas. Mesmo sem uma solução à vista para a reestruturação, o banco está apostando no setor de celulose. Se não houver fusão este ano, pelo menos as empresas devem investir mais.
O BNDES liberou para as empresas de papel e celulose US$ 347 milhões em 1998 e US$ 163 milhões em 1999. A previsão para o orçamento deste ano é bem mais elevada. O banco deve triplicar ou mesmo quadruplicar o valor do ano passado.


