Bahia pretende criar município para homenagear filho de ACM
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 22 (AE) - A Assembléia Legislativa da Bahia pretende autorizar a criação do município Luís Eduardo Magalhães
o 416º do Estado, para homenagear o filho do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), falecido em 98. O curioso é que a cúpula do PFL baiano, autora da homenagem, havia decidido, em 89, impedir a emancipação de novos municípios no Estado, pois o processo gera despesas para o erário público.
Agora, a maioria pefelista na Assembléia tenta mudar o regimento interno da Casa para permitir a tramitação em regime de urgência dos pedidos de criação de novos municípios. Se isso ocorrer, em um mês o município Luís Eduardo Magalhães pode ser criado. O interesse é que tudo seja resolvido até o dia 2 de abril, prazo máximo para que o município seja reconhecido oficialmente e possa realizar eleição de prefeito este ano.
O filho de ACM já foi alvo de inúmeras homenagens na Bahia e outros estados. Várias escolas, viadutos e obras públicas foram batizadas com o nome do deputado Luís Eduardo. A que causou mais protestos entre os opositores do PFL foi a troca do nome do aeroporto de Salvador, que se chamava Dois de Julho. Dois de Julho é a data cívica mais importante dos baianos, quando se comemora a Independência da Bahia, que representa a vitória do exército popular diante das tropas portuguesas que ainda resistiam à Independência do Brasil, em território baiano.
Autora do projeto a deputada estadual Jusmari Oliveira (PFL) pretende criar o novo município no antigo distrito de Mimoso do Oeste, pertencente ao município de Barreiras (onde está o maior pólo agrícola do Nordeste). A localidade ficaria com 4,1 mil metros quadrados de área dos 10,5 mil de Barreiras e obteria 25% da produção de soja da região, algo em torno de 310 mil toneladas/ano. Quem não está gostando nem um pouco da iniciativa é o prefeito de Barreiras, Antonio Henrique Moreira, do PSDB, não por ser contra a homenagem, mas pelo desfalque na arrecadação. A prefeitura ainda não avaliou quanto perderá.
Levado a "toque de caixa", o projeto não informa o perfil do novo município: o último censo oficial realizado em Mimoso do Oeste, em 96, registrou cerca de nove mil moradores. Contudo, atualmente, sabe-se, pelo número de ligações de água, que a população chega a 30 mil e é formada essencialmente por colonizadores gaúchos, catarinenses e mineiros que mudaram-se para a região, acreditando nas boas perspectivas de plantar no cerrado baiano. Sobre a arrecadação de impostos, a deputada Jusmari informou que somente com a produção de soja o ICMS gerado seria de cerca de R$ 7,4 milhões.
Jusmari não tem conhecimento se Luís Eduardo visitou, algum dia, Mimoso do Oeste, mas lembra que ele defendeu a localidade no final da década de 80, quando fazendeiros de Tocantins, com o apoio do governo daquele estado, tentaram anexar uma grande faixa de terra.


