Baggio: 'Sabíamos do grampo e fizemos sátira'
Baggio: Sabíamos do grampo e fizemos sátira
O coordenador do MST, Roberto Baggio, disse ontem que as gravações telefônicas divulgadas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública denotam o descontentamento dos agricultores com as atitudes que foram tomadas pela juíza Elizabeth Khater. De acordo com Baggio, os sem-terra não cometeram qualquer tipo de desrespeito ou ato de violência durante as gravações. Sabíamos do grampo e estávamos fazendo uma sátira, uma gozação pública das atitudes da juíza, disse.
Mesmo se dizendo contra a violência, Baggio afirmou que os agricultores expressaram nas fitas a vontade de destruir o Fórum. Mesmo que os agricultores fizessem tudo o que estava sendo dito na fita, seria pouco para retribuir o que esta juíza tem feito contra nós, defendeu ele. Segundo Baggio, desde 1994, Elizabeth foi responsável pela prisão de 150 lideranças sem-terra e por 60 mandados de reintegração de posse. Ela só prende o pobre, nunca vi qualquer prisão decretada para um fazendeiro, argumentou.
Apesar da divulgação das gravações, Baggio acredita que as manifestações em Curitiba não serão enfraquecidas. Acho que estamos mais fortes, inclusive para exigir do Tribunal de Justiça do Paraná o afastamento desta juíza. Estas manifestações que estamos fazendo em Curitiba serão nossa maior resposta contra a ordem de tortura e desocupações no Estado, disse.
O bispo responsável pela área de interior da Igreja Católica do Paraná, Ladislau Biernarski, condenou ontem a escuta telefônica solicitada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e divulgada anteontem pela Rede Globo. Fizeram uma escuta para dizer que os trabalhadores sem-terra são marginais. Essa é uma armação hipócrita que não irá conduzir a nada, acusou.
A Comissão Pastoral da Terra protocolou um pedido junto a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) para que as denúncias dos sem-terra contra a juíza Elizabeth sejam investigadas e que, se confirmadas, ela tenha o registro cassado. Queremos que os sem-terra sejam tratados dignamente, defendeu Darci Frigo, coordenador da Pastoral da Terra. (L.P.)





