A primeira análise da bagagem da fraudadora do INSS Jorgina Maria de Freitas, apreendida na alfândega no início do mês, pode deixá-la em situação ainda mais complicada perante a Justiça. Para a procuradora da República Maria Emília Amaral, nos documentos poderão ser obtidas ‘‘provas mais consistentes para os processos (contra a fraudadora) em andamento’’.
A auditoria determinada pelo juiz Alexandre Libonati de Abreu, da 13ª Vara Federal, na bagagem enviada por Jorgina da Costa Rica para o Brasil teve sua primeira etapa concluída ontem, com a elaboração de um relatório de mais de 80 páginas. Nele foram relacionados todos os itens dos 68 volumes despachados pela fraudadora para o País. O material que interessa à Justiça estava em seis caixas de documentos.
Os volumes começaram a ser examinados na sexta-feira por seis auditores fiscais, dois agentes federais e representantes da Procuradoria da República e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O trabalho foi interrompido na sexta e reiniciado anteontem, no prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio, para onde o material foi transferido sob escolta da Polícia Federal. A bagagem está cercada de tantos cuidados que os volumes foram guardados no cofre forte utilizado pelo Tesouro Nacional quando o Rio era capital federal.
O conteúdo dos documentos não foi divulgado porque o caso está sob segredo fiscal. Segundo Maria Emília Amaral, a partir de hoje começará a ser feita uma análise detalhada do material, para verificar se há algo que possa ser acrescentado aos processos a que Jorgina responde ou se o que for apurado constitui ‘‘novos delitos’’. Ela acredita que o trabalho levará cerca de 30 dias para ser concluído. ‘‘Não temos a menor pressa; temos, sim, compromisso com a qualidade desse trabalho’’, justificou.
A análise será feita por uma nova equipe de auditores fiscais, a ser designada pelo superintendente da Receita Federal no Rio, Paulo Avis. A procuradora afirmou que vai solicitar autorização judicial para que a inspeção seja acompanhada por representantes do INSS e da Polícia Federal. Ela espera que a análise dos documentos contribua também para apressar o processo de extradição da fraudadora, presa na Costa Rica.

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