Campinas, SP, 05 (AE) - O legista Badan Palhares quer provar que as denúncias contra ele feitas pelo motorista Jorge Meres são falsas e pretende interpelar judicialmente os integrantes da CPI que divulgaram informações a seu respeito, segundo seu advogado, Nivaldo Doro. "Já reunimos toda a documentação para provar que as suspeitas envolvendo o doutor Badan Palhares são falsas", disse. A CPI do Narcotráfico deverá deslocar-se para Campinas no dia 16 e Doro disse que Badan está pronto para falar à comissão e esclarecer todas as dúvidas.
O perito foi acusado por Meres de envolvimento com a suposta quadrilha comandada pelo ex-deputado Hildebrando Pascoal e pelo deputado Augusto Farias (PPB-AL). A suspeita de que Badan poderia estar envolvido com o crime organizado partiu do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), relator da CPI na parte relativa a Campinas. Segundo Mattos, o legista atuou como perito num crime que envolve o deputado José Gerardo (MA-PPB), considerado pela CPI como o principal líder do crime organizado no Estado. Gerardo é acusado de mandar matar, em 1988, o estudante José Antonio Penha Brito Júnior, de 13 anos.
O crime teria ocorrido porque o pai do garoto, que na época trabalhava no Banco do Brasil em São Luís, negou um financiamento para Gerardo ampliar sua frota de ônibus. Badan entrou no caso em 1998 para examinar uma ossada que poderia ser a do rapaz, mas não confirmou a identificação. Na quarta-feira, Mattos disse que Badan "surgiu do nada" para cuidar do caso, insinuando que o perito teria forjado o laudo para inocentar Gerardo.
A documentação reunida por Badan mostra que ele entrou no caso a pedido da família da vítima. O perito foi designado pelo então diretor do Departamento de Medicina Legal da Unicamp, Nelson Massini, que atualmente é desafeto de Badan. Também participaram da perícia o legista José Eduardo Bueno Zappa.
A equipe exumou os ossos em 1988 mas, segundo Badan, o material encontrado era insuficiente para realizar a identificação. Os legistas, então, decidiram voltar a Campinas com o crânio que fazia parte da ossada a fim de submetê-lo a uma técnica de superposição de imagens, com base em fotografias do garoto. Por esse exame, segundo Badan, não foi possível identificá-lo.
Badan também levará à CPI um laudo do Departamento de Medicina Legal da Universidade Estadual de São Paulo afirmando que o tipo sanguíneo da pessoa a quem pertencia a ossada não é o mesmo do garoto. O documento, assinado pela legista Nativa Neves Russi Salaru atesta que o tipo sanguineo encontrado nos ossos e fios de cabelo examinados eram do tipo A, e o filho do gerente tinha sangue tipo O.
O legista também apresentará reportagens de jornais de São Luís que acompanharam o caso na época. Ele diz que as reportagens deixam claro que o pai do garoto não estava satisfeito com os peritos locais.

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