Campinas, SP, 09 (AE) - O médico-legista Fortunato Badan Palhares ficou surpreso hoje com a declaração de seu colega alagoano, George Sanguinetti, que em depoimento à CPI do Narcotráfico, em Maceió, disse ter ouvido do ex-governador de Alagoas Geraldo Bulhões que Palhares teria recebido R$ 400 mil para fraudar o laudo sobre as mortes do empresário Paulo Cesar Farias e sua namorada, Suzana Marcolino. "Isso é uma barbaridade", disse Palhares, sem esconder a irritação.
Em seguida, mais calmo, o legista de Campinas decidiu não aprofundar a polêmica. "Se ele (Sanguinetti) disse isso, então vai ter de se entender é com com o ex-governador de Alagoas", afirmou. "Não tenho nada com isso", completou Palhares. O legista voltou a insistir que não foi o único a elaborar o laudo sobre as mortes de PC e Suzana. "Onze peritos trabalharam no caso", destacou.
O legista disse que pretende processar mais uma vez Sanguinetti, caso o perito alagoano insista em fazer acusações "sem apresentar provas". Palhares já moveu dois processos judiciais contra Sanguinetti, ambos por calúnia e difamação. Num deles, impetrado na 2ª Vara Criminal da Lapa, Sanguinetti reivindicou os benefícios da lei 9.099 e, em troca da suspensão do processo, terá de pagar uma indenização a Palhares.
No outro processo, que corre na 35ª Vara Cível de São Paulo
será definido o valor da indenização que Sanguinetti terá de pagar a Palhares. O perito alagoano perderá o benefício caso se ausente do País nos próximos dois anos ou volte a ser alvo de novos processos nesse período. Há vinte dias, porém, os advogados do legista voltaram a processar Sanguinetti, que repetiu as acusações contra Palhares, durante um programa de rádio.

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